DA HISTÓRIA DE UMA NEUROSE INFANTIL
("HOMEM LOBO") (CAP. IV E VII) (29-46, 74-5)
Sigmund Freud (1918)
Resumo:
IV. O SONHO E A CENA PRIMORDIAL
Já publicamos esse sonho em outros lugares por causa de sua riqueza em elementos retirados de contos tradicionais, e vou repetir
o que foi comunicado lá: "Sonhei à noite e estava na minha cama. Minha cama estava de frente para a janela, e em frente à jan ela
havia uma fileira de nogueiras velhas. Era inverno quando sonhei, e era noite. De repente, a janela abre-se sozinha e vejo com
grande terror que na grande nogueira em frente à janela estão sentados vários lobos brancos. Eram seis ou sete. Os lobos eram
completamente brancos e mais pareciam raposas ou cães pastores, com caudas grandes como raposas e orelhas rígidas como cães
em alerta. Cheio de angústia, claramente com medo de ser comido por lobos, começo a gritar e acordar. Minha babá corre para
minha cama para descobrir o que tinha acontecido comigo. Demorei muito tempo para me convencer de que tinha sido apenas
um sonho, porque a imagem da janela se abrindo e dos lobos sentados na árvore me parecia tão natural e vívida. Finalmente, me
acalmei, me senti aliviado do perigo e voltei a dormir.
"No sonho, a única ação foi a abertura da janela, já que os lobos estavam completamente parados e não se moviam nos galhos da
árvore, à direita e à esquerda do tronco, olhando para mim. Parecia que tinham direcionado toda a sua atenção para mim. Acho
que esse foi meu primeiro sonho de ansiedade. Eu tinha três, quatro, no máximo cinco anos. De lá até os onze ou doze anos,
sempre tive medo de ver algo terrível nos meus sonhos."
"Ele também desenhou uma foto da árvore com os lobos, confirmando sua descrição [Figura 1]. A análise do sonho traz à tona o
seguinte material. Ele sempre relacionou esse sonho à lembrança de que naqueles primeiros anos de sua infância demonstrava
intensa ansiedade diante da imagem de um lobo que aparecia em um livro de histórias tradicionais. Sua irmã mais velha, que era
muito mais avançada, costumava provocá-lo, mostrando-lhe essa foto sob qualquer pretexto, após o que ele começava a gritar de
terror. A imagem mostrava o lobo em pé, avançando com uma das patas traseiras estendidas, garras para fora e orelhas rígidas.
Ele acredita que reconheceu essa imagem como uma ilustração da história 'Chapeuzinho Vermelho'."
Nessa análise, ele se pergunta por que os lobos do sonho são brancos, levando o paciente a se lembrar da praga entre as ovelh as
próximas de sua casa. Refere-se a uma história que você ouviu sobre um alfaiate que confronta um lobo e o tira de sua cauda. A
história envolve castração, refletida na ausência de caudas nos lobos do sonho.
A questão de porque existem seis ou sete lobos é resolvida ligando o sonho aos contos tradicionais de Chapeuzinho Vermelho e O
Lobo e as Sete Cabras. Ambas as histórias compartilham elementos como devorar e a árvore. O sonho revela uma verdadeira
zoofobia relacionada a esses contos, gerada pela angústia infantil em relação à figura paterna.
A explicação dessas fobias está ligada à neurose do paciente e sua relação com o pai. A angústia diante do pai impulsionou sua
doença, e sua atitude ambivalente em relação a ele marcou sua vida e seu tratamento.
Essa análise sugere que o lobo nas histórias representa o medo da criança em relação ao pai, especialmente considerando as
interações do pai do paciente com ele durante sua infância.
Em nossa análise, nos afastamos da avaliação inicial do sonho para nos concentrarmos em sua interpretação imediata. A obtençã o
dessa interpretação foi um processo que durou vários anos. Desde o início do tratamento, o paciente compartilhou o sonho, e
rapidamente aceitou que ele estava relacionado à causa de sua neurose infantil. Ao longo do tratamento, revisamos o sonho várias
1
Feito por MatyBuda
("HOMEM LOBO") (CAP. IV E VII) (29-46, 74-5)
Sigmund Freud (1918)
Resumo:
IV. O SONHO E A CENA PRIMORDIAL
Já publicamos esse sonho em outros lugares por causa de sua riqueza em elementos retirados de contos tradicionais, e vou repetir
o que foi comunicado lá: "Sonhei à noite e estava na minha cama. Minha cama estava de frente para a janela, e em frente à jan ela
havia uma fileira de nogueiras velhas. Era inverno quando sonhei, e era noite. De repente, a janela abre-se sozinha e vejo com
grande terror que na grande nogueira em frente à janela estão sentados vários lobos brancos. Eram seis ou sete. Os lobos eram
completamente brancos e mais pareciam raposas ou cães pastores, com caudas grandes como raposas e orelhas rígidas como cães
em alerta. Cheio de angústia, claramente com medo de ser comido por lobos, começo a gritar e acordar. Minha babá corre para
minha cama para descobrir o que tinha acontecido comigo. Demorei muito tempo para me convencer de que tinha sido apenas
um sonho, porque a imagem da janela se abrindo e dos lobos sentados na árvore me parecia tão natural e vívida. Finalmente, me
acalmei, me senti aliviado do perigo e voltei a dormir.
"No sonho, a única ação foi a abertura da janela, já que os lobos estavam completamente parados e não se moviam nos galhos da
árvore, à direita e à esquerda do tronco, olhando para mim. Parecia que tinham direcionado toda a sua atenção para mim. Acho
que esse foi meu primeiro sonho de ansiedade. Eu tinha três, quatro, no máximo cinco anos. De lá até os onze ou doze anos,
sempre tive medo de ver algo terrível nos meus sonhos."
"Ele também desenhou uma foto da árvore com os lobos, confirmando sua descrição [Figura 1]. A análise do sonho traz à tona o
seguinte material. Ele sempre relacionou esse sonho à lembrança de que naqueles primeiros anos de sua infância demonstrava
intensa ansiedade diante da imagem de um lobo que aparecia em um livro de histórias tradicionais. Sua irmã mais velha, que era
muito mais avançada, costumava provocá-lo, mostrando-lhe essa foto sob qualquer pretexto, após o que ele começava a gritar de
terror. A imagem mostrava o lobo em pé, avançando com uma das patas traseiras estendidas, garras para fora e orelhas rígidas.
Ele acredita que reconheceu essa imagem como uma ilustração da história 'Chapeuzinho Vermelho'."
Nessa análise, ele se pergunta por que os lobos do sonho são brancos, levando o paciente a se lembrar da praga entre as ovelh as
próximas de sua casa. Refere-se a uma história que você ouviu sobre um alfaiate que confronta um lobo e o tira de sua cauda. A
história envolve castração, refletida na ausência de caudas nos lobos do sonho.
A questão de porque existem seis ou sete lobos é resolvida ligando o sonho aos contos tradicionais de Chapeuzinho Vermelho e O
Lobo e as Sete Cabras. Ambas as histórias compartilham elementos como devorar e a árvore. O sonho revela uma verdadeira
zoofobia relacionada a esses contos, gerada pela angústia infantil em relação à figura paterna.
A explicação dessas fobias está ligada à neurose do paciente e sua relação com o pai. A angústia diante do pai impulsionou sua
doença, e sua atitude ambivalente em relação a ele marcou sua vida e seu tratamento.
Essa análise sugere que o lobo nas histórias representa o medo da criança em relação ao pai, especialmente considerando as
interações do pai do paciente com ele durante sua infância.
Em nossa análise, nos afastamos da avaliação inicial do sonho para nos concentrarmos em sua interpretação imediata. A obtençã o
dessa interpretação foi um processo que durou vários anos. Desde o início do tratamento, o paciente compartilhou o sonho, e
rapidamente aceitou que ele estava relacionado à causa de sua neurose infantil. Ao longo do tratamento, revisamos o sonho várias
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Feito por MatyBuda