PSICOLOGIA DAS MINORIAS ATIVAS (INTRODUÇÃO. EM S. MOSCOVICI)
Silvério Barriga - Serge Moscovici (1996)
Resumo:
INTRODUÇÃO POR SILVERIO BARRIGA
Nos últimos dez anos, o professor Moscovici emergiu como um dos principais defensores de uma Psicologia Social comprometida
e contextualizada com o meio social em que realiza suas pesquisas. Uma de suas principais estratégias tem sido distanciar-se dos
modelos clássicos, em sua maioria de origem americana, para aprimorar o estudo dos processos psicossociais.
Reconhece-se que a ciência não é neutra na seleção de problemas ou nas soluções propostas, especialmente nas Ciências Sociais,
onde fatores ideológicos, técnicos e históricos exercem influência significativa nas decisões do pesquisador. Essa influência não
compromete o rigor metodológico necessário para identificar os elementos duradouros nos processos estudados.
Nesse contexto, Moscovici destacou os aspectos ideológicos implícitos na Psicologia Social, especialmente na análise da influ ência
social. Em contraste com o modelo funcionalista predominante nos Estados Unidos, que se concentra na conformidade e controle
social em sistemas sociais estáveis e ótimos, ele propõe um modelo genético ou interacionista. Nessa abordagem, a estabilidad e
do sistema é vista como um momento dentro de um processo contínuo de mudança social, onde as normas são contingentes e a
marginalização se justifica quando é inovadora.
Essa abordagem interacionista destaca o estudo da influência social como tema central para a compreensão da interação criativ a
de minorias no contexto contemporâneo. Há um crescimento de minorias ativas, que não se limitam a atuar como grupos
marginalizados definidos por sua distância da norma estabelecida, mas também se posicionam como inovadores que defendem
normas e sistemas sociais alternativos. A singularidade dessas minorias ativas está na anomia e heterodoxia de suas perspectivas.
Em resposta à uniformidade social, há uma demanda crescente por autonomia e diferenciação tanto no nível individual quanto no
do grupo. A transição de uma sociedade de consumo para uma sociedade de modulação favorece a criação padronizada de
indivíduos adaptáveis a diferentes ambientes produtivos, ao mesmo tempo em que promove o desenraizamento e facilita a
mobilização dos indivíduos. Paradoxalmente, nesse contexto, os sujeitos buscam libertar-se de serem submetidos, desafiando
ativamente a preservação de suas identidades pessoais e grupais.
Vivemos um momento em que o ressurgimento de minorias ativas desafia as percepções tradicionais de marginalização, vendo -se
como potenciais alternativas sociais. Portanto, o futuro estudo da Psicologia Social do conflito entre maiorias e minorias deve
basear-se nesse contexto de emergência das minorias.
O trabalho experimental e teórico de Moscovici e sua equipe fortaleceu significativamente o estudo científico da realidade soci al
das minorias. Sua abordagem rigorosa do trabalho experimental acrescenta mérito ao seu propósito, conseguindo conciliar
prestígio metodológico com um compromisso genuíno com a realidade social. Moscovici soube enfrentar esses desafios com
maestria, orientando a Psicologia Social para a adoção estratégica do método experimental em períodos cruciais para a discipl ina.
O impacto dos estudos de Moscovici se reflete em pesquisas realizadas em várias universidades, algumas ampliando suas
conclusões e outras questionando-as. A organização de simpósios internacionais, como o de Barcelona, em 1980, tem sido
fundamental para reunir e debater os pontos abordados por Moscovici e seus colaboradores.
Entre as questões destacadas está a discussão da consistência do comportamento das minorias como fator determinante de sua
influência, em contraposição à dependência como explicação exclusiva. A necessidade de distinguir entre poder e influência
também tem sido discutida, sublinhando como essas dinâmicas afetam as relações entre maiorias e minorias em diferentes
contextos sociais.
Moscovici defendeu a importância da inovação e apontou que tanto a conformidade quanto a inovação são fenômenos diferentes,
com efeitos diferentes, fundamentais para a compreensão dos processos de mudança social real fora do laboratório. Seu chamado
para integrar a Psicologia Social com a realidade social reflete um compromisso com a pesquisa de grupos minoritários,
especialmente aqueles que impulsionam transformações sociais.
Em suma, o trabalho de Moscovici representa um avanço significativo para a Psicologia Social, destacando -se por sua rigorosa
abordagem experimental e seu impacto na compreensão da dinâmica social entre maiorias e minorias.
1
Feito por MatyBuda
Silvério Barriga - Serge Moscovici (1996)
Resumo:
INTRODUÇÃO POR SILVERIO BARRIGA
Nos últimos dez anos, o professor Moscovici emergiu como um dos principais defensores de uma Psicologia Social comprometida
e contextualizada com o meio social em que realiza suas pesquisas. Uma de suas principais estratégias tem sido distanciar-se dos
modelos clássicos, em sua maioria de origem americana, para aprimorar o estudo dos processos psicossociais.
Reconhece-se que a ciência não é neutra na seleção de problemas ou nas soluções propostas, especialmente nas Ciências Sociais,
onde fatores ideológicos, técnicos e históricos exercem influência significativa nas decisões do pesquisador. Essa influência não
compromete o rigor metodológico necessário para identificar os elementos duradouros nos processos estudados.
Nesse contexto, Moscovici destacou os aspectos ideológicos implícitos na Psicologia Social, especialmente na análise da influ ência
social. Em contraste com o modelo funcionalista predominante nos Estados Unidos, que se concentra na conformidade e controle
social em sistemas sociais estáveis e ótimos, ele propõe um modelo genético ou interacionista. Nessa abordagem, a estabilidad e
do sistema é vista como um momento dentro de um processo contínuo de mudança social, onde as normas são contingentes e a
marginalização se justifica quando é inovadora.
Essa abordagem interacionista destaca o estudo da influência social como tema central para a compreensão da interação criativ a
de minorias no contexto contemporâneo. Há um crescimento de minorias ativas, que não se limitam a atuar como grupos
marginalizados definidos por sua distância da norma estabelecida, mas também se posicionam como inovadores que defendem
normas e sistemas sociais alternativos. A singularidade dessas minorias ativas está na anomia e heterodoxia de suas perspectivas.
Em resposta à uniformidade social, há uma demanda crescente por autonomia e diferenciação tanto no nível individual quanto no
do grupo. A transição de uma sociedade de consumo para uma sociedade de modulação favorece a criação padronizada de
indivíduos adaptáveis a diferentes ambientes produtivos, ao mesmo tempo em que promove o desenraizamento e facilita a
mobilização dos indivíduos. Paradoxalmente, nesse contexto, os sujeitos buscam libertar-se de serem submetidos, desafiando
ativamente a preservação de suas identidades pessoais e grupais.
Vivemos um momento em que o ressurgimento de minorias ativas desafia as percepções tradicionais de marginalização, vendo -se
como potenciais alternativas sociais. Portanto, o futuro estudo da Psicologia Social do conflito entre maiorias e minorias deve
basear-se nesse contexto de emergência das minorias.
O trabalho experimental e teórico de Moscovici e sua equipe fortaleceu significativamente o estudo científico da realidade soci al
das minorias. Sua abordagem rigorosa do trabalho experimental acrescenta mérito ao seu propósito, conseguindo conciliar
prestígio metodológico com um compromisso genuíno com a realidade social. Moscovici soube enfrentar esses desafios com
maestria, orientando a Psicologia Social para a adoção estratégica do método experimental em períodos cruciais para a discipl ina.
O impacto dos estudos de Moscovici se reflete em pesquisas realizadas em várias universidades, algumas ampliando suas
conclusões e outras questionando-as. A organização de simpósios internacionais, como o de Barcelona, em 1980, tem sido
fundamental para reunir e debater os pontos abordados por Moscovici e seus colaboradores.
Entre as questões destacadas está a discussão da consistência do comportamento das minorias como fator determinante de sua
influência, em contraposição à dependência como explicação exclusiva. A necessidade de distinguir entre poder e influência
também tem sido discutida, sublinhando como essas dinâmicas afetam as relações entre maiorias e minorias em diferentes
contextos sociais.
Moscovici defendeu a importância da inovação e apontou que tanto a conformidade quanto a inovação são fenômenos diferentes,
com efeitos diferentes, fundamentais para a compreensão dos processos de mudança social real fora do laboratório. Seu chamado
para integrar a Psicologia Social com a realidade social reflete um compromisso com a pesquisa de grupos minoritários,
especialmente aqueles que impulsionam transformações sociais.
Em suma, o trabalho de Moscovici representa um avanço significativo para a Psicologia Social, destacando -se por sua rigorosa
abordagem experimental e seu impacto na compreensão da dinâmica social entre maiorias e minorias.
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Feito por MatyBuda