CINCO CONFERÊNCIAS SOBRE PSICANÁLISE (IV)
Sigmund Freud (1910)
Resumo:
Aqui apresentamos a vocês o que descobrimos pelos meios técnicos descritos sobre os complexos patogênicos e desejos
reprimidos dos neuróticos. A pesquisa psicanalítica revela consistentemente que os sintomas patológicos dos sofredores têm sua
origem em experiências amorosas passadas. Esta pesquisa sugere que os desejos patogênicos são componentes da pulsão erótica
e destaca a importância dos distúrbios no erotismo como influências primárias sobre a doença em homens e mulheres.
Entendemos que esta afirmação pode não ser prontamente aceita. Mesmo pesquisadores que apoiam meu trabalho psicológico
frequentemente opinam que exagero a contribuição etiológica dos fatores sexuais, questionando por que outras emoções não-
sexuais podem não provocar os mesmos fenômenos de repressão e formação substitutiva. Minha resposta é simples: não descarto
essa possibilidade, mas a experiência clínica mostra que os fatores sexuais têm um efeito fundamental que outros fatores não
podem igualar ou substituir.
Inicialmente, muitos dos meus amigos e seguidores mais próximos, presentes aqui hoje em Worcester, não acreditavam na
importância crucial da etiologia sexual, até que suas próprias investigações analíticas os convenceram do contrário. A convicção
da validade dessa tese não é facilitada pela atitude dos pacientes, que tendem a esconder voluntariamente informações sobre sua
vida sexual. Isso porque, em nosso contexto cultural, falar abertamente sobre sexualidade ainda é um tabu e motivo de vergonha.
É fundamental que os pacientes se sintam seguros para discutir livremente essas questões durante o tratamento, pois só assim
poderemos formar um julgamento acurado sobre as questões em discussão. Infelizmente, mesmo os médicos não estão isentos
da pressão social em torno da sexualidade, muitas vezes envolvidos em uma mistura de puritanismo e desejo que afeta a conduta
de muitos "homens educados" em questões sexuais.
Aqui apresentamos nossos achados sobre a exploração psicanalítica nos casos em que os sintomas nem sempre remontam às
experiências sexuais, mas também a traumas menos significativos. No entanto, durante a análise aprofundada necessária para a
cura, sempre remontamos à infância e à puberdade do paciente, onde encontramos as impressões fundamentais que predispõem
a traumas posteriores. São essas experiências da infância que explicam a suscetibilidade a problemas futuros e, ao tornar essas
memórias esquecidas conscientes, podemos eliminar os sintomas.
Esse processo nos leva à mesma conclusão do estudo dos sonhos: que são os desejos sexuais infantis reprimidos, mas persistentes,
que moldam a formação dos sintomas. Ao contrário da crença popular, as crianças não são estranhas à sexualidade; Desde cedo,
carregam consigo impulsos sexuais que gradualmente se desenvolvem na sexualidade adulta. Consegui até obter evidências sólidas
disso através da análise de casos clínicos e observações como as do Dr. Sanford Bell, que documentou a presença de emoções
amorosas entre crianças desde idades muito precoces.
Entendo que esses insights podem ser uma surpresa para alguns de vocês, mas acumulei evidências clínicas e depoimentos
suficientes para apoiar essa perspectiva. A relutância em aceitar a sexualidade infantil provavelmente se deve à educação cultural
que se recusa a discutir abertamente essas questões. No entanto, aqueles que se aventuram a explorar suas próprias memórias
de infância geralmente descobrem que elas estão impregnadas de elementos sexuais que influenciam profundamente a vida
adulta.
Vamos agora continuar a explorar a sexualidade infantil desde os primeiros anos de vida. A pulsão sexual da criança revela-se
extremamente complexa, composta por múltiplos elementos que provêm de várias fontes e que ainda não estão destinados à
função reprodutiva, que virá posteriormente. Essa pulsão busca obter prazer por meio de várias sensações prazerosas, agrupadas
sob o título de prazer sexual. A principal fonte desse prazer na infância é a estimulação adequada de certas partes do corpo, além
dos genitais: boca, ânus, uretra, pele e outras superfícies sensíveis. Nessa fase inicial da vida sexual, a satisfação se encontra no
próprio corpo e dispensa um objeto externo, o que chamamos de autoerotismo, termo cunhado por Havelock Ellis. As áreas do
corpo que são sensíveis a esse prazer são chamadas de "zonas erógenas".
Um exemplo comum dessa satisfação autoerótica é a chupeta ou sucção prazerosa, que surge de zonas erógenas. A excitação
masturbatória dos genitais também é significativa nesta fase e frequentemente persiste na vida adulta. Desde muito cedo, a criança
exibe componentes instintivos de prazer sexual que envolvem um objeto externo como parte de seus desejos. Essas pulsões se
apresentam em pares de opostos, como o sadismo e o masoquismo, além do prazer de observar e ser observado.
1
Feito por MatyBuda
Sigmund Freud (1910)
Resumo:
Aqui apresentamos a vocês o que descobrimos pelos meios técnicos descritos sobre os complexos patogênicos e desejos
reprimidos dos neuróticos. A pesquisa psicanalítica revela consistentemente que os sintomas patológicos dos sofredores têm sua
origem em experiências amorosas passadas. Esta pesquisa sugere que os desejos patogênicos são componentes da pulsão erótica
e destaca a importância dos distúrbios no erotismo como influências primárias sobre a doença em homens e mulheres.
Entendemos que esta afirmação pode não ser prontamente aceita. Mesmo pesquisadores que apoiam meu trabalho psicológico
frequentemente opinam que exagero a contribuição etiológica dos fatores sexuais, questionando por que outras emoções não-
sexuais podem não provocar os mesmos fenômenos de repressão e formação substitutiva. Minha resposta é simples: não descarto
essa possibilidade, mas a experiência clínica mostra que os fatores sexuais têm um efeito fundamental que outros fatores não
podem igualar ou substituir.
Inicialmente, muitos dos meus amigos e seguidores mais próximos, presentes aqui hoje em Worcester, não acreditavam na
importância crucial da etiologia sexual, até que suas próprias investigações analíticas os convenceram do contrário. A convicção
da validade dessa tese não é facilitada pela atitude dos pacientes, que tendem a esconder voluntariamente informações sobre sua
vida sexual. Isso porque, em nosso contexto cultural, falar abertamente sobre sexualidade ainda é um tabu e motivo de vergonha.
É fundamental que os pacientes se sintam seguros para discutir livremente essas questões durante o tratamento, pois só assim
poderemos formar um julgamento acurado sobre as questões em discussão. Infelizmente, mesmo os médicos não estão isentos
da pressão social em torno da sexualidade, muitas vezes envolvidos em uma mistura de puritanismo e desejo que afeta a conduta
de muitos "homens educados" em questões sexuais.
Aqui apresentamos nossos achados sobre a exploração psicanalítica nos casos em que os sintomas nem sempre remontam às
experiências sexuais, mas também a traumas menos significativos. No entanto, durante a análise aprofundada necessária para a
cura, sempre remontamos à infância e à puberdade do paciente, onde encontramos as impressões fundamentais que predispõem
a traumas posteriores. São essas experiências da infância que explicam a suscetibilidade a problemas futuros e, ao tornar essas
memórias esquecidas conscientes, podemos eliminar os sintomas.
Esse processo nos leva à mesma conclusão do estudo dos sonhos: que são os desejos sexuais infantis reprimidos, mas persistentes,
que moldam a formação dos sintomas. Ao contrário da crença popular, as crianças não são estranhas à sexualidade; Desde cedo,
carregam consigo impulsos sexuais que gradualmente se desenvolvem na sexualidade adulta. Consegui até obter evidências sólidas
disso através da análise de casos clínicos e observações como as do Dr. Sanford Bell, que documentou a presença de emoções
amorosas entre crianças desde idades muito precoces.
Entendo que esses insights podem ser uma surpresa para alguns de vocês, mas acumulei evidências clínicas e depoimentos
suficientes para apoiar essa perspectiva. A relutância em aceitar a sexualidade infantil provavelmente se deve à educação cultural
que se recusa a discutir abertamente essas questões. No entanto, aqueles que se aventuram a explorar suas próprias memórias
de infância geralmente descobrem que elas estão impregnadas de elementos sexuais que influenciam profundamente a vida
adulta.
Vamos agora continuar a explorar a sexualidade infantil desde os primeiros anos de vida. A pulsão sexual da criança revela-se
extremamente complexa, composta por múltiplos elementos que provêm de várias fontes e que ainda não estão destinados à
função reprodutiva, que virá posteriormente. Essa pulsão busca obter prazer por meio de várias sensações prazerosas, agrupadas
sob o título de prazer sexual. A principal fonte desse prazer na infância é a estimulação adequada de certas partes do corpo, além
dos genitais: boca, ânus, uretra, pele e outras superfícies sensíveis. Nessa fase inicial da vida sexual, a satisfação se encontra no
próprio corpo e dispensa um objeto externo, o que chamamos de autoerotismo, termo cunhado por Havelock Ellis. As áreas do
corpo que são sensíveis a esse prazer são chamadas de "zonas erógenas".
Um exemplo comum dessa satisfação autoerótica é a chupeta ou sucção prazerosa, que surge de zonas erógenas. A excitação
masturbatória dos genitais também é significativa nesta fase e frequentemente persiste na vida adulta. Desde muito cedo, a criança
exibe componentes instintivos de prazer sexual que envolvem um objeto externo como parte de seus desejos. Essas pulsões se
apresentam em pares de opostos, como o sadismo e o masoquismo, além do prazer de observar e ser observado.
1
Feito por MatyBuda