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Summary Resumo 'A Psicologia Social Como Crítica' de Iñiguez Rueda

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Resumo, explicação e conclusão das ideias principais do texto 'A Psicologia Social Como Crítica' de Iñiguez Rueda.

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A PSICOLOGIA SOCIAL COMO CRÍTICA
Lupicinio Íñiguez-Rueda (2003)


Resumo:
Em algum momento, a psicologia social perdeu sua inquietação intelectual, o que pode explicar por que a afirmação de Henry
Tajfel em 1972 ainda permanece: "A psicologia social certamente não conseguiu criar uma revolução intelectual no sentido de
afetar profundamente nossa visão da natureza humana como, por exemplo, Freud e Piaget fizeram para a psicologia individual".

Após duas décadas de mudanças nas ciências sociais, com o pós-estruturalismo e o zeitgeist pós-moderno, a psicologia social tem
se concentrado em trabalhos rotineiros e míopes, publicados em revistas consolidadas. Títulos como "A Gestão de Valores Perdi dos
em Modelos de Trajetória para Opiniões ou Atitudes" e "O Impacto de Categorizações Sobrepostas na Diferenciação entre Grupos
Sociais" são exemplos de pesquisas que parecem desconectadas das preocupações centrais da sociedade.

Segundo Gergen (1996), a pesquisa experimental em psicologia social está tão distante dos diálogos atuais das ciências sociai s que
corre o risco de se tornar uma curiosidade antiquária. Portanto, neste artigo revisaremos as características da crise em Psicologia
Social, diagnosticaremos sua situação atual, exploraremos suas raízes e ofereceremos uma descrição de uma forma crítica de
compreender essa disciplina.



A "CRISE" DA PSICOLOGIA SOCIAL: CRISE? QUE CRISE?

Se seguirmos a cronologia de Ibáñez (1990), 35 anos se passaram desde o início da "crise da psicologia social". Para alguns, foi uma
moda; para outros, um mau passageiro; e, para mais alguns, um ponto de viragem crucial. Durante anos, a mídia especializada
debateu intensamente as características, o alcance e as possibilidades de nossa disciplina. Essa crise tornou-se um espaço de
reflexão sobre o que, como e por que da psicologia social.

As opiniões variavam: alguns destacavam a falta de coerência na disciplina, outros questionavam a psicologia social como um todo
e outros propunham mudanças substanciais nas práticas científicas. Esses debates definiram um espaço de reflexão e pactuaram
algumas linhas de ação.

Ibáñez (1990) destacou fatores internos e externos que explicaram a crise. Externamente, as fraturas sociais dos anos 1960, o s
movimentos de protesto, a crise de valores e as mudanças na estrutura produtiva mundial influenciaram. Além disso, os debates
e críticas aos modelos dominantes nas ciências sociais afetaram profundamente a psicologia social.

Internamente, a complexidade e imprecisão da psicologia social e a rotinização da pesquisa experimental levaram a um foco em
questões metateóricas, epistemológicas e metodológicas. O conhecimento produzido pela experimentação social carecia de
propriedades cumulativas, as teorias psicossociais eram incomensuráveis e irrefutáveis, e o elevado número de hipóteses auxiliares
na experimentação dificultava a identificação de erros.

Após esse período de debate, surgiu um otimismo na psicologia social na esperança de uma nova forma de entender e praticar a
disciplina. No entanto, anos mais tarde, os mesmos problemas persistem, especialmente na psicologia social europeia e norte-
americana. A "discursivização" da crise teve um efeito reificante e paralisante, transformando a crise em um evento pontual e
descolado do presente.

Apesar da decepção com a falta de reação das estruturas dominantes, uma certa heterodoxia conseguiu manter a vitalidade do
debate, ainda que à custa da exclusão e da deslegitimação.



CRÍTICAS À SITUAÇÃO ATUAL

Acompanhar as mais renomadas revistas em psicologia social nos faz refletir sobre o alcance e os limites do debate aberto e s uas
supostas consequências. Esse debate poderia ser articulado em torno de três temas: a) a prática atual da psicologia social e sua
relação com os debates surgidos durante a "crise"; b) a pluralidade da psicologia social; e c) a questão da aplicabilidade da
psicologia social como proposta.



A PRÁTICA ATUAL DA PSICOLOGIA SOCIAL

Na "resolução" da crise, assumiu-se um consenso sobre uma série de questões. Reconheceu-se, por exemplo, que o método
experimental era disfuncional, criando contextos distantes das realidades sociais. Propunha também abandonar a pesquisa
1
Feito por MatyBuda

, desconectada da realidade social, apoiada pela autoridade de autores como Serge Moscovici e Henry Tajfel. Além disso, muitos
psicólogos sociais se comprometeram a pensar os problemas sociais e contribuir para sua resolução, revalidando compromissos
relacionados à aplicabilidade e ao envolvimento na transformação social.

No entanto, quando se avaliam práticas e teorias psicossociais quanto ao seu efeito na manutenção do status quo e na injustiç a
social, o quadro não é animador. A situação atual da psicologia social convencional não parece alinhada com as conclusões da
crise, mostrando uma fratura em três abordagens distintas: uma abordagem empirista, uma abordagem profissional e uma
abordagem transdisciplinar.



ABORDAGEM EMPIRICISTA

Uma parte muito importante da psicologia social acadêmica, pelo menos na Europa e nos Estados Unidos, ainda se baseia nos
mesmos pressupostos que deram origem à "crise". Essa parte, que podemos chamar de "empirista", caracteriza-se por uma intensa
e febril produção de dados, principalmente experimentais, sobre aspectos específicos do comportamento em contextos sociais.
Muitas vezes, uma miríade de variáveis são estudadas operacionalizadas a partir de micromodelos, muitas vezes referidos como
"teorias".

Nigel Armistead expressou muito bem essa situação em seu livro "A Reconstrução da Psicologia Social", escrito há quase 30 ano s.
Suas palavras ainda são relevantes: "A psicologia social convencional vem se afastando progressivamente do mundo que deveria
explicar. Embora não ignore completamente o assunto do mundo real, ele o trata de forma estreita e conservadora, abstraindo os
problemas de seu contexto social. O mundo não espera pela psicologia social; As ideias das pessoas estão mudando e se movendo ,
e a psicologia social fica para trás. Se quisermos entender o mundo em mudança e movimento e seus valores, precisamos colocar
nossa psicologia social em uma perspectiva histórica. A psicologia social convencional é muitas vezes estática em um duplo sentido:
ignora o contexto histórico e congela o indivíduo no tempo."

Armistead também apontou: "Quando você combina a pulsão por leis gerais com uma concepção do 'social' em termos de
interação entre organismos e com o método experimental de laboratório, você acaba com uma psicologia social que ignora
sistematicamente o contexto social em que o comportamento ocorre. Essa é a principal razão pela qual a psicologia social
psicológica está em um impasse. Com a melhor das intenções científicas, ela foi deixada de lado por ignorar contextos sociais que
não deveriam ser dados como certos."



ABORDAGEM PROFISSIONAL

A abordagem profissional define um grupo de profissionais que abordam a intervenção a partir de uma perspectiva da psicologia
social, às vezes chamada de "psicologia social aplicada", incluindo também a "psicologia social comunitária" (Montero, 1994a) .
Essa abordagem é esperançosa por causa de seu afastamento da psicologia social convencional tanto teórica quanto
metodologicamente. Como assinalaram Tomás Ibáñez e eu (1996):

"A intervenção social 'prática' não constitui uma 'aplicação' do conhecimento teórico. Hoje, as reflexões de Aristóteles sobre a
diferença de natureza entre conhecimento teórico e prático são mais uma vez levadas em séria consideração. Não é o mesmo tipo
de racionalidade que opera na razão prática e na razão científica, embora ambas sejam igualmente racionais. Há conhecimentos e
saberes irredutivelmente práticos e que possuem uma autonomia e racionalidade próprias. Portanto, o psicólogo social orientad o
para a intervenção social não está em uma relação de subordinação em relação ao psicólogo social orientado para a produção de
conhecimento científico. É a própria prática do primeiro, irredutível a qualquer legislação do ponto de vista teórico, que in dica que
tipo de produção teórica ele pode eventualmente usar e de que forma."

Aqui, o papel da psicologia social não é maior nem menor do que o de outras disciplinas e evita qualquer tentativa de "tecnol ogizar "
a psicologia social. A lógica do trabalho cotidiano e a busca de soluções para os problemas sociais mais prementes afastam-se da
"produção acadêmica padrão" e produzem um conhecimento autônomo e de extraordinário interesse.



ENFOQUE TRANSDISCIPLINAR

Transdisciplinaridade não é apenas conectar disciplinas ou colaborar com outras ciências, mas remover as fronteiras entre elas.
Ovejero (1999) assim a descreve:

"A interdisciplinaridade exige colaboração entre diferentes disciplinas, mantendo seus limites. A transdisciplinaridade, por outro
lado, implica a supressão de fronteiras, uma vez que elas são artificiais e limitam o conhecimento sobre a realidade social."

Algumas práticas da psicologia social seguem essa concepção transdisciplinar, que poderíamos chamar de "psicologia social como
crítica". Essa abordagem tenta incorporar as lições da "crise" e situar a psicologia social em um espaço geral das ciências sociais,

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Feito por MatyBuda

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May 25, 2024
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