ATITUDES
Elena M Zubieta (2020)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
As atitudes têm sido, quase desde a constituição da Psicologia Social, um dos temas centrais de estudo de nossa disciplina. Tanto
que se tem dito que sem atitudes não conseguiríamos compreender a Psicologia Social, especialmente na produção norte-
americana.
Como apontou Germani (1966), o interesse por esse conceito surge da necessidade de termos categorias que permitam reduzir a
complexidade do comportamento social e encontrar suas causas gerais. As atitudes são relevantes em campanhas preventivas e
intervenções organizacionais, e seu principal interesse reside em seu papel em processos de mudança social. Atuam como
mediadores entre o indivíduo e seu contexto social (Morales, Rebolloso, & Moya, 1994).
Para Triandis (1971, in Echebarría et. al., 1987), atitude é uma ideia emocionalmente carregada que predispõe a ações em situações
sociais específicas. Fishbein e Ajzen (1975) argumentam que atitudes são predisposições aprendidas para responder favorável ou
desfavoravelmente a um dado objeto. Ambas as definições indicam que as atitudes têm um aspecto emocional e motivacional
para ações direcionadas a um objeto específico.
As atitudes podem ser organizadas em sistemas de valores. O termo "ideologia" designa um conjunto integrado de crenças e
valores que justificam as políticas de um grupo (Katz e Scottland, 1959; in Echebarría et. al., 1987).
As atitudes sociais caracterizam-se pela consistência na resposta aos objetos sociais, o que facilita o desenvolvimento de sistemas
integrados de atitudes e valores. Esses sistemas nos ajudam a interpretar e avaliar fatos, reduzindo a ambiguidade. São estilos
perceptivos aprendidos através da cultura do pertencimento (Lindgren & Harvey, 1973).
2. MENSURAÇÃO E DIMENSÃO DAS ATITUDES
Para compreender a composição interna das atitudes e sua complexidade, podemos utilizar a definição de Eagly e Chaiken (1993)
que as descreve como uma tendência psicológica expressa por meio da avaliação de uma entidade ou objeto com algum grau de
favorabilidade ou desfavorabilidade.
Ao falar em tendência, fica implícito que não se trata de algo externo a nós ou de uma resposta aberta e observável, mas de um
"estado interno". A atitude é então concebida como mediadora entre os estímulos do ambiente externo e nossas reações, ou seja,
nossas respostas avaliativas evidentes.
Como a atitude é um estado interno, devemos inferi-la a partir de nossas respostas ostensivas e observáveis, que serão aprovação
ou desaprovação, atração ou rejeição, aproximação ou evitação etc. Nessa tendência avaliativa, atribuímos aspectos positivos ou
negativos a um dado objeto, que transcende o meramente descritivo e é, portanto, conotativo.
A avaliação envolve valência (direção) e intensidade. Enquanto valência refere-se ao caráter positivo ou negativo que atribuímos
ao objeto atitudinal, a intensidade está relacionada à gradação dessa valência. Por exemplo, podemos ter uma atitude positiva ou
negativa em relação a um líder, mas esse caráter admite graus variados. Também pode ser que nossa atitude seja indiferente ou
neutra porque não temos uma atitude formada (não-atitude) ou porque nossa atitude é ambígua, admitindo aspectos positivos e
negativos com igual intensidade. Assim, é representado o que se denomina contínuo atitudinal, que integra valência e intensidade.
É importante distinguir quais atitudes são centrais para o nosso sistema de valores e quais são mais marginais. A centralidade é
complementada pela saliência, ou seja, a importância que damos a cada atitude em nossas vidas. Nem todas as atitudes centrais
são igualmente salientes.
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Feito por MatyBuda
, Além disso, uma atitude é sempre direcionada a um objeto específico que deve ser claramente definido. A diferença entre ter uma
atitude negativa em relação a um estilo de liderança em geral e em relação à liderança de uma pessoa específica, como Pedro,
ilustra que os objetos de nossas atitudes variam não apenas em conteúdo, mas também em nível de especificidade.
3. AS RESPOSTAS OU COMPONENTES DA ATITUDE
O estado psicológico interno conhecido como atitude manifesta-se por meio de respostas observáveis que são tradicionalmente
classificadas em três categorias: cognitiva, afetiva e conativo-comportamental. Embora a avaliação seja uma característica central
da atitude, ela pode se manifestar por meio dessas três vias distintas que sempre se referem a um único estado interno. Essa
convivência e a complexidade interna que esse estado implica são a razão pela qual essas vias de expressão também são referidas
como elementos ou componentes da atitude.
3.1 RESPOSTAS COGNITIVAS
Muitas vezes, avaliamos um objeto positiva ou negativamente por meio de pensamentos ou ideias que chamamos de "crenças".
Em um sentido estrito, "crenças" incluem tanto os próprios pensamentos e ideias quanto sua expressão exterior. Segundo Morales,
Rebolloso e Moya (1994), a avaliação por meio de respostas cognitivas segue uma dupla sequência: primeiro, estabelecemos uma
associação probabilística entre um objeto e seus atributos. Por exemplo, se considerarmos a organização burocrática e seu atributo
de rigidez, o primeiro passo seria estabelecer a conexão: "a organização burocrática tem probabilidade (alta/média/baixa) de ser
composta por indivíduos rígidos". Na segunda etapa, avaliamos essa associação, com base na conotação positiva ou negativa do
atributo. Se a rigidez tem uma conotação negativa, uma forte associação com a organização burocrática levaria a uma avaliação
negativa desta última.
3.2 RESPOSTAS EFETIVAS
Isso inclui os sentimentos, humores e emoções associados ao objeto de nossa atitude. Embora alguns autores tenham sugerido
que a emoção é o único componente da atitude, é claro que avaliação e afeto são conceitos distintos e que a avaliação pode se
manifestar não apenas por meio do afeto, mas também por meio de cognições e comportamentos.
De acordo com a hipótese da coerência, é de se esperar que uma avaliação negativa da organização burocrática e da rigidez de
seus membros seja acompanhada de sentimentos e emoções negativas em relação a essas expressões.
3.3 RESPOSTAS CONATIVO-COMPORTAMENTAIS
Os comportamentos também podem ser colocados no continuum atitudinal. Alguns comportamentos podem ser muito negativos,
como evitar interagir com indivíduos rígidos, enquanto outros podem ser muito positivos, como colaborar nas ações propostas
pela liderança situacional de Pedro. Nos estudos atitudinais, além de considerar o comportamento em si, também são levadas em
conta as intenções comportamentais, como a concordância em apoiar o estilo de liderança de Peter ou a discordância em interagir
com uma organização devido à sua rigidez burocrática.
3.4 A RELAÇÃO ENTRE RESPOSTAS AVALIATIVAS OU COMPONENTES ATITUDINAIS
Do ponto de vista teórico, a atitude é um estado interno de avaliação, enquanto os componentes cognitivo, afetivo e conativo-
comportamental são as formas pelas quais ela é expressa. Metodologicamente, embora esses componentes sejam diferentes entre
si, todos se referem à mesma variável: atitude. Cada tipo de resposta atitudinal pode ser medido com diferentes índices, mas eles
devem estar positivamente relacionados para refletir adequadamente a atitude em questão.
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Feito por MatyBuda
Elena M Zubieta (2020)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
As atitudes têm sido, quase desde a constituição da Psicologia Social, um dos temas centrais de estudo de nossa disciplina. Tanto
que se tem dito que sem atitudes não conseguiríamos compreender a Psicologia Social, especialmente na produção norte-
americana.
Como apontou Germani (1966), o interesse por esse conceito surge da necessidade de termos categorias que permitam reduzir a
complexidade do comportamento social e encontrar suas causas gerais. As atitudes são relevantes em campanhas preventivas e
intervenções organizacionais, e seu principal interesse reside em seu papel em processos de mudança social. Atuam como
mediadores entre o indivíduo e seu contexto social (Morales, Rebolloso, & Moya, 1994).
Para Triandis (1971, in Echebarría et. al., 1987), atitude é uma ideia emocionalmente carregada que predispõe a ações em situações
sociais específicas. Fishbein e Ajzen (1975) argumentam que atitudes são predisposições aprendidas para responder favorável ou
desfavoravelmente a um dado objeto. Ambas as definições indicam que as atitudes têm um aspecto emocional e motivacional
para ações direcionadas a um objeto específico.
As atitudes podem ser organizadas em sistemas de valores. O termo "ideologia" designa um conjunto integrado de crenças e
valores que justificam as políticas de um grupo (Katz e Scottland, 1959; in Echebarría et. al., 1987).
As atitudes sociais caracterizam-se pela consistência na resposta aos objetos sociais, o que facilita o desenvolvimento de sistemas
integrados de atitudes e valores. Esses sistemas nos ajudam a interpretar e avaliar fatos, reduzindo a ambiguidade. São estilos
perceptivos aprendidos através da cultura do pertencimento (Lindgren & Harvey, 1973).
2. MENSURAÇÃO E DIMENSÃO DAS ATITUDES
Para compreender a composição interna das atitudes e sua complexidade, podemos utilizar a definição de Eagly e Chaiken (1993)
que as descreve como uma tendência psicológica expressa por meio da avaliação de uma entidade ou objeto com algum grau de
favorabilidade ou desfavorabilidade.
Ao falar em tendência, fica implícito que não se trata de algo externo a nós ou de uma resposta aberta e observável, mas de um
"estado interno". A atitude é então concebida como mediadora entre os estímulos do ambiente externo e nossas reações, ou seja,
nossas respostas avaliativas evidentes.
Como a atitude é um estado interno, devemos inferi-la a partir de nossas respostas ostensivas e observáveis, que serão aprovação
ou desaprovação, atração ou rejeição, aproximação ou evitação etc. Nessa tendência avaliativa, atribuímos aspectos positivos ou
negativos a um dado objeto, que transcende o meramente descritivo e é, portanto, conotativo.
A avaliação envolve valência (direção) e intensidade. Enquanto valência refere-se ao caráter positivo ou negativo que atribuímos
ao objeto atitudinal, a intensidade está relacionada à gradação dessa valência. Por exemplo, podemos ter uma atitude positiva ou
negativa em relação a um líder, mas esse caráter admite graus variados. Também pode ser que nossa atitude seja indiferente ou
neutra porque não temos uma atitude formada (não-atitude) ou porque nossa atitude é ambígua, admitindo aspectos positivos e
negativos com igual intensidade. Assim, é representado o que se denomina contínuo atitudinal, que integra valência e intensidade.
É importante distinguir quais atitudes são centrais para o nosso sistema de valores e quais são mais marginais. A centralidade é
complementada pela saliência, ou seja, a importância que damos a cada atitude em nossas vidas. Nem todas as atitudes centrais
são igualmente salientes.
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Feito por MatyBuda
, Além disso, uma atitude é sempre direcionada a um objeto específico que deve ser claramente definido. A diferença entre ter uma
atitude negativa em relação a um estilo de liderança em geral e em relação à liderança de uma pessoa específica, como Pedro,
ilustra que os objetos de nossas atitudes variam não apenas em conteúdo, mas também em nível de especificidade.
3. AS RESPOSTAS OU COMPONENTES DA ATITUDE
O estado psicológico interno conhecido como atitude manifesta-se por meio de respostas observáveis que são tradicionalmente
classificadas em três categorias: cognitiva, afetiva e conativo-comportamental. Embora a avaliação seja uma característica central
da atitude, ela pode se manifestar por meio dessas três vias distintas que sempre se referem a um único estado interno. Essa
convivência e a complexidade interna que esse estado implica são a razão pela qual essas vias de expressão também são referidas
como elementos ou componentes da atitude.
3.1 RESPOSTAS COGNITIVAS
Muitas vezes, avaliamos um objeto positiva ou negativamente por meio de pensamentos ou ideias que chamamos de "crenças".
Em um sentido estrito, "crenças" incluem tanto os próprios pensamentos e ideias quanto sua expressão exterior. Segundo Morales,
Rebolloso e Moya (1994), a avaliação por meio de respostas cognitivas segue uma dupla sequência: primeiro, estabelecemos uma
associação probabilística entre um objeto e seus atributos. Por exemplo, se considerarmos a organização burocrática e seu atributo
de rigidez, o primeiro passo seria estabelecer a conexão: "a organização burocrática tem probabilidade (alta/média/baixa) de ser
composta por indivíduos rígidos". Na segunda etapa, avaliamos essa associação, com base na conotação positiva ou negativa do
atributo. Se a rigidez tem uma conotação negativa, uma forte associação com a organização burocrática levaria a uma avaliação
negativa desta última.
3.2 RESPOSTAS EFETIVAS
Isso inclui os sentimentos, humores e emoções associados ao objeto de nossa atitude. Embora alguns autores tenham sugerido
que a emoção é o único componente da atitude, é claro que avaliação e afeto são conceitos distintos e que a avaliação pode se
manifestar não apenas por meio do afeto, mas também por meio de cognições e comportamentos.
De acordo com a hipótese da coerência, é de se esperar que uma avaliação negativa da organização burocrática e da rigidez de
seus membros seja acompanhada de sentimentos e emoções negativas em relação a essas expressões.
3.3 RESPOSTAS CONATIVO-COMPORTAMENTAIS
Os comportamentos também podem ser colocados no continuum atitudinal. Alguns comportamentos podem ser muito negativos,
como evitar interagir com indivíduos rígidos, enquanto outros podem ser muito positivos, como colaborar nas ações propostas
pela liderança situacional de Pedro. Nos estudos atitudinais, além de considerar o comportamento em si, também são levadas em
conta as intenções comportamentais, como a concordância em apoiar o estilo de liderança de Peter ou a discordância em interagir
com uma organização devido à sua rigidez burocrática.
3.4 A RELAÇÃO ENTRE RESPOSTAS AVALIATIVAS OU COMPONENTES ATITUDINAIS
Do ponto de vista teórico, a atitude é um estado interno de avaliação, enquanto os componentes cognitivo, afetivo e conativo-
comportamental são as formas pelas quais ela é expressa. Metodologicamente, embora esses componentes sejam diferentes entre
si, todos se referem à mesma variável: atitude. Cada tipo de resposta atitudinal pode ser medido com diferentes índices, mas eles
devem estar positivamente relacionados para refletir adequadamente a atitude em questão.
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Feito por MatyBuda