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Summary Resumo 'Relações entre Psicologia Social Comunitária, Psicologia Crítica e Psicologia da Libertação. Uma Resposta Latino-Americana' de Montero

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Resumo, explicação e conclusão das ideias principais do texto 'Relações entre Psicologia Social Comunitária, Psicologia Crítica e Psicologia da Libertação. Uma Resposta Latino-Americana' de Montero.

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RELAÇÕES ENTRE PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA, PSICOLOGIA CRÍTICA E
PSICOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: UMA RESPOSTA LATINO-AMERICANA
Maritza Montero (2004)


Resumo:
Neste artigo, exploramos a ideia de que a psicologia social comunitária, a psicologia social crítica e a psicologia social da libertação
moldaram uma resposta neoparadigmática. Esses movimentos surgiram na América Latina em diferentes momentos: os dois
primeiros na década de 1970 e o terceiro na década de 1980. Investigamos analítica e comparativamente a literatura latino-
americana relacionada a essas três áreas, identificando suas características distintivas, bem como suas semelhanças e diferenças.
Nossos resultados mostram a influência mútua entre esses domínios e como eles se complementam, compartilhando fontes,
objetivos e conceitos.



POR QUE ESTE ESTUDO FOI REALIZADO

Neste artigo, exploramos como três expressões do trabalho psicossocial surgiram e se desenvolveram na América Latina desde o
final do século XX até os dias atuais. Essas expressões – psicologia social comunitária, psicologia social da libertação e psicologia
social crítica – não apenas respondem às necessidades específicas de nossas sociedades, mas também refletem o paradigma global
de transformação científica que emergiu na década de 1960.

Por meio de uma análise comparativa da literatura latino-americana sobre essas áreas, identificamos suas características
distintivas, bem como as semelhanças e diferenças entre elas. Nosso estudo revela como essas correntes se influenciam
mutuamente, compartilhando fontes, objetivos e conceitos, e como juntas formam uma resposta inovadora e contextualizada às
crises e desafios enfrentados pela psicologia e pela sociedade em nossa região.



DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA À PSICOLOGIA SOCIAL DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA CORRENTE CRÍTICA

Na América Latina, no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, surgiu uma poderosa onda neoparadigmática que transformou
tanto as ciências sociais quanto os naturais. No campo da psicologia social, essa transformação se manifestou fortemente por meio
da criação da psicologia social comunitária. Desde o início, essa nova abordagem concentrou-se no estudo dos fatores psicossociais
que permitem aos indivíduos exercer controle sobre seu ambiente social e pessoal, promovendo mudanças e soluções para
problemas coletivos.

A psicologia social comunitária distinguiu-se por três elementos-chave: o reconhecimento do poder e das relações de desigualdade
que determinam as dinâmicas sociais, a ação transformadora dirigida tanto ao ambiente quanto às estruturas sociais e a
participação dos indivíduos como agentes de mudança dentro de suas comunidades. Essa abordagem, além de marcar uma ruptura
com as práticas vigentes na psicologia social até então, reconfigurou as metodologias e as relações entre psicólogos e sujeitos de
estudo.

Esse movimento coincidiu temporariamente com o surgimento da abordagem crítica no início dos anos 1980 e precedeu em pouco
mais de uma década o desenvolvimento da psicologia social da libertação em 1986. Todos esses movimentos compartilhavam um
espírito comum de resposta às necessidades urgentes e às profundas desigualdades nas sociedades latino-americanas,
configurando uma resposta inovadora e contextualizada do campo psicossocial.



DA CRÍTICA EM PSICOLOGIA

ORIGENS

Na corrente crítica da psicologia, identificamos duas origens distintas que convergem em uma abordagem radicalmente
transformadora. Uma dessas origens nasceu na América Latina, em meados da década de 1970, influenciada pela sociologia crítica,
pela educação popular freiriana e por movimentos como alternativas à psiquiatria. Esse contexto deu origem à psicologia social
comunitária, que se desenvolveu como uma resposta psicossocial focada em capacitar as comunidades para enfrentar seus
problemas e transformar seus ambientes sociais.

A segunda origem remonta ao campo da psicologia anglo-saxônica em meados da década de 1960, conhecida como psicologia
radical. Essa corrente caracterizou-se por sua profunda crítica às estruturas sociais e seu foco em intervir tanto nas relações


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Feito por MatyBuda

, individuais quanto na sociedade como um todo. A partir da década de 1980, adotou o adjetivo "crítico" para refletir sua postura
antipositivista e seu compromisso político de denunciar as condições socioeconômicas e seus efeitos na ciência e na sociedade.

Ambos os movimentos, embora emergentes em contextos diferentes, compartilhavam a aspiração de questionar teorias
estabelecidas e propor novas formas de compreender e abordar os fenômenos sociais. Suas influências marxistas e foco na
transformação política e social marcaram um marco significativo na psicologia contemporânea, desafiando práticas tradicionais e
buscando alternativas libertadoras para as formas opressoras existentes na psicologia de seu tempo.



DO SER E O ALCANCE DA CRÍTICA

Lidar com a condição crítica é um desafio complexo, mas crucial nas ciências sociais e, particularmente, na psicologia. Desde o final
da década de 1960, assistimos ao surgimento de uma corrente crítica que permeou todos os aspectos de nossa disciplina. Esse
rótulo, como tantos outros carregados de valor positivo, tem sido usado para legitimar teorias e práticas, muitas vezes sem
justificativa substancial.

A verdadeira crítica, no entanto, envolve mais do que apenas designação; é derivado do grego "krisis", relacionado à escolha e
distinção entre múltiplas perspectivas e possibilidades. Em psicologia, ser crítico envolve questionar teorias estabelecidas, revelar
contradições e lacunas e expor as relações de poder que perpetuam as injustiças sociais. Esse olhar introspectivo também requer
autorreflexão, reconhecendo os próprios vieses e tendências.

A crítica, inevitável e muitas vezes irritante, desempenha um papel vital ao apontar a necessidade de mudança e o potencial
transformador do conhecimento. É dinâmico e adaptável, sempre pronto para desafiar o status quo e abrir novos caminhos de
entendimento. Mais do que uma ferramenta de denúncia, a crítica é libertadora ao desafiar hierarquias e modos de pensar que
perpetuam a desigualdade e a submissão.

Em suma, a crítica é essencial para preservar a liberdade e a integridade do conhecimento científico, evitando que ele se torne
dogma. Sua capacidade de abrir novas perspectivas e desafiar o status quo faz dela uma força indispensável na evolução da
psicologia e de outras disciplinas.



CRÍTICA, ÉTICA, PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA E LIBERTAÇÃO

Determinar o caráter crítico de um campo, posição, teorização ou pesquisa psicológica é central para nossa práxis em psicologia
social comunitária e psicologia da libertação. A crítica é valorizada por sua capacidade de mostrar alternativas, reconhecer a
diversidade dos atores sociais e destacar a relação entre os fenômenos sociais e seu contexto. Isso implica uma abordagem holística
que muitas vezes se perde na fragmentação dos fenômenos sociais.

Além disso, a atitude crítica envolve uma consciência ético-político-científica, como defende Martín-Baró, que exige um
compromisso com as pessoas com quem trabalhamos. Do ponto de vista gramsciano, ser crítico implica desafiar a ideologia
presente no senso comum das comunidades. No trabalho comunitário, observamos como o poder e a submissão geram
desigualdades, privilégios e exclusões.

Outros indicadores de pensamento crítico incluem a reflexividade constante sobre nossas ações e a responsabilidade pessoal por
nossos resultados. A dúvida metódica nos encoraja a considerar nossas certezas como verdades práticas provisórias, passíveis de
revisão. A motivação para a transformação social, a garantia de acesso equitativo aos bens sociais e o combate às injustiças e
opressões que afetam grupos e indivíduos também são cruciais.

Portanto, assumir uma postura crítica envolve mais do que uma análise superficial; exige um compromisso ético, epistemológico
e político com a diversidade e a justiça social, reconhecendo os direitos individuais e coletivos daqueles com quem estudamos e
trabalhamos.



Para determinar o caráter crítico de uma situação psicológica, é crucial considerar as questões colocadas por Prilleltensky e Fox
(1997), que se aplicam tanto à psicologia social comunitária quanto à psicologia social crítica:

1. O status quo está sendo promovido ou desafiado? Promover o status quo pode eliminar críticas e perpetuar o autoritarismo,
sufocando a dissidência e a diversidade.

2. Promove-se a justiça social ou a injustiça? Isso é avaliado considerando quem se beneficia e se os afetados são ouvidos,
permitindo que eles expressem suas opiniões.

3. São consideradas as repercussões sociais das práticas e teorias do campo? É essencial examinar criticamente as metodologias e
implicações das teorias utilizadas.
2
Feito por MatyBuda

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May 25, 2024
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