XII. DETERMINISMO, CRENÇA NO
ACASO E SUPERSTIÇÃO: PONTOS DE VISTA
Sigmund Freud (1901)
Resumo:
Como resultado geral das várias elucidações que precederam, podemos apontar para o seguinte entendimento: Quando aplicamos
o procedimento de investigação psicanalítica a certas insuficiências de nossas operações psíquicas e a performances que parecem
ser sem propósito, descobrimos que elas são motivadas e determinadas por motivos desconhecidos da consciência.
Para ser classificada entre os fenômenos que admitem tal explicação, uma operação psíquica fracassada deve atender a certas
condições. Primeiro, não pode exceder uma determinada medida estabelecida pela nossa estimativa de normalidade. Em segundo
lugar, deve ser uma perturbação momentânea e transitória, indicando que somos capazes de executar a mesma operação mais
corretamente em outro momento. Terceiro, se percebermos a operação fracassada, não registraremos em nós qualquer motivação
para ela; em vez disso, seremos tentados a explicá-lo como "desatenção" ou "acaso". Casos de esquecimentos e erros na fala,
leitura e escrita, entre outros, permanecem nesse grupo.
A elucidação desses processos psíquicos revela um determinismo na vida da alma que muitas vezes subestimamos. Os exemplos
dados, como a escolha de nomes ou números, ilustram como o inconsciente influencia nossas ações e decisões de maneiras sutis,
mas significativas. Esses fenômenos sugerem que nossa mente é mais organizada e dirigida do que normalmente reconhecemos
em nossa experiência consciente.
A análise detalhada de exemplos específicos, como a escolha de um nome para um paciente ou a seleção de um número
aparentemente aleatório, demonstra como eventos aparentemente triviais estão conectados a processos psicológicos complexos.
Esses casos destacam a capacidade do inconsciente de influenciar nossas escolhas e percepções de maneiras que nem sempre
compreendemos completamente.
Em última análise, esses fenômenos convidam a uma reflexão mais profunda sobre a natureza da mente humana e a interação
entre o consciente e o inconsciente. Eles revelam a profundidade e a complexidade de nossos processos mentais, bem como a
importância da psicologia na compreensão completa da experiência humana.
Também podemos ver que a escolha dos números preferidos está ligada a experiências significativas na vida das pessoas. Por
exemplo, um homem dá importância aos números 17 e 19 por causa de eventos importantes, como sua entrada na faculdade e
sua primeira grande viagem. Além disso, os números que usamos com frequência podem ter significados ocultos, como no caso
de um paciente cujo número favorito está relacionado à rivalidade com seu irmão.
Além disso, a análise da ocorrência de certos números revela processos de pensamento complexos e associações subconscientes.
Por exemplo, um paciente relaciona o número 426718 à sua posição como o caçula de sete irmãos e seus sentimentos em relação
à sua família. Outro exemplo é a análise de um número aparentemente aleatório, 986, que desperta memórias relacionadas ao
calor e ao fogo, sugerindo um complexo de masturbação.
Esses exemplos ilustram como números e palavras podem ser carregados de significado subconsciente e como sua análise pode
revelar aspectos profundos da psique humana.
A compreensão do determinismo presente em nomes e números aparentemente escolhidos pelo livre-arbítrio pode lançar luz
sobre o problema do sentimento de convicção em favor da existência do livre-arbítrio. Esse sentimento de convicção se manifesta
especialmente em decisões triviais e indiferentes, onde as pessoas preferem acreditar que agiram por livre e espontânea vontade
desmotivada. No entanto, de acordo com nossas análises, esse sentimento indica que a motivação consciente não abrange todas
as nossas decisões, pois algumas são movidas por motivações inconscientes, confirmando o determinismo no psíquico.
O comportamento dos paranoicos, que atribuem grande significado aos pequenos detalhes e os interpretam extensivamente,
revela uma projeção do inconsciente presente em sua própria vida psíquica sobre a dos outros. Esse fenômeno reflete a compulsão
de interpretar o acaso e encontrar sentido nele, o que também é visto na superstição. A falta de conhecimento consciente sobre
a motivação para ações casuais leva a pessoa supersticiosa a atribuir significados externos a eventos aleatórios, projetando sua
própria atividade psíquica inconsciente no mundo exterior.
Assim, enquanto o supersticioso interpreta eventos aleatórios como presságios externos, considero que a motivação inconsciente
revelada em ações não intencionais é interna e pertence apenas à própria vida psíquica. Essa análise psicológica pode ajudar a
1
Feito por MatyBuda
ACASO E SUPERSTIÇÃO: PONTOS DE VISTA
Sigmund Freud (1901)
Resumo:
Como resultado geral das várias elucidações que precederam, podemos apontar para o seguinte entendimento: Quando aplicamos
o procedimento de investigação psicanalítica a certas insuficiências de nossas operações psíquicas e a performances que parecem
ser sem propósito, descobrimos que elas são motivadas e determinadas por motivos desconhecidos da consciência.
Para ser classificada entre os fenômenos que admitem tal explicação, uma operação psíquica fracassada deve atender a certas
condições. Primeiro, não pode exceder uma determinada medida estabelecida pela nossa estimativa de normalidade. Em segundo
lugar, deve ser uma perturbação momentânea e transitória, indicando que somos capazes de executar a mesma operação mais
corretamente em outro momento. Terceiro, se percebermos a operação fracassada, não registraremos em nós qualquer motivação
para ela; em vez disso, seremos tentados a explicá-lo como "desatenção" ou "acaso". Casos de esquecimentos e erros na fala,
leitura e escrita, entre outros, permanecem nesse grupo.
A elucidação desses processos psíquicos revela um determinismo na vida da alma que muitas vezes subestimamos. Os exemplos
dados, como a escolha de nomes ou números, ilustram como o inconsciente influencia nossas ações e decisões de maneiras sutis,
mas significativas. Esses fenômenos sugerem que nossa mente é mais organizada e dirigida do que normalmente reconhecemos
em nossa experiência consciente.
A análise detalhada de exemplos específicos, como a escolha de um nome para um paciente ou a seleção de um número
aparentemente aleatório, demonstra como eventos aparentemente triviais estão conectados a processos psicológicos complexos.
Esses casos destacam a capacidade do inconsciente de influenciar nossas escolhas e percepções de maneiras que nem sempre
compreendemos completamente.
Em última análise, esses fenômenos convidam a uma reflexão mais profunda sobre a natureza da mente humana e a interação
entre o consciente e o inconsciente. Eles revelam a profundidade e a complexidade de nossos processos mentais, bem como a
importância da psicologia na compreensão completa da experiência humana.
Também podemos ver que a escolha dos números preferidos está ligada a experiências significativas na vida das pessoas. Por
exemplo, um homem dá importância aos números 17 e 19 por causa de eventos importantes, como sua entrada na faculdade e
sua primeira grande viagem. Além disso, os números que usamos com frequência podem ter significados ocultos, como no caso
de um paciente cujo número favorito está relacionado à rivalidade com seu irmão.
Além disso, a análise da ocorrência de certos números revela processos de pensamento complexos e associações subconscientes.
Por exemplo, um paciente relaciona o número 426718 à sua posição como o caçula de sete irmãos e seus sentimentos em relação
à sua família. Outro exemplo é a análise de um número aparentemente aleatório, 986, que desperta memórias relacionadas ao
calor e ao fogo, sugerindo um complexo de masturbação.
Esses exemplos ilustram como números e palavras podem ser carregados de significado subconsciente e como sua análise pode
revelar aspectos profundos da psique humana.
A compreensão do determinismo presente em nomes e números aparentemente escolhidos pelo livre-arbítrio pode lançar luz
sobre o problema do sentimento de convicção em favor da existência do livre-arbítrio. Esse sentimento de convicção se manifesta
especialmente em decisões triviais e indiferentes, onde as pessoas preferem acreditar que agiram por livre e espontânea vontade
desmotivada. No entanto, de acordo com nossas análises, esse sentimento indica que a motivação consciente não abrange todas
as nossas decisões, pois algumas são movidas por motivações inconscientes, confirmando o determinismo no psíquico.
O comportamento dos paranoicos, que atribuem grande significado aos pequenos detalhes e os interpretam extensivamente,
revela uma projeção do inconsciente presente em sua própria vida psíquica sobre a dos outros. Esse fenômeno reflete a compulsão
de interpretar o acaso e encontrar sentido nele, o que também é visto na superstição. A falta de conhecimento consciente sobre
a motivação para ações casuais leva a pessoa supersticiosa a atribuir significados externos a eventos aleatórios, projetando sua
própria atividade psíquica inconsciente no mundo exterior.
Assim, enquanto o supersticioso interpreta eventos aleatórios como presságios externos, considero que a motivação inconsciente
revelada em ações não intencionais é interna e pertence apenas à própria vida psíquica. Essa análise psicológica pode ajudar a
1
Feito por MatyBuda