COGNIÇÃO SOCIAL: A MANEIRA COMO PENSAMOS SOBRE OS OUTROS
Rosa Rodríguez Bailón - Soledad M. Palacios (2013)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
Neste capítulo, exploramos como processamos e usamos a vasta quantidade de informações sociais que recebemos para entender
e agir em nossas interações. Desde como lidamos com informações sobre a orientação sexual de um amigo até como formamos
impressões automáticas das pessoas ao nosso redor, olhamos para os processos cognitivos subjacentes às nossas percepções e
ações sociais.
Discutimos como desenvolvemos representações mentais com base nas informações disponíveis, bem como a importância da
inferência social e das interações na maneira como percebemos os outros. Além disso, revisamos abordagens clássicas que tentam
explicar como passamos a formar impressões gerais sobre as pessoas e a relevância das interações sociais nesse processo.
Em suma, exploramos como gerenciamos as informações sociais para entender e nos comportar de forma eficaz em nosso
ambiente social.
2. O QUE É COGNIÇÃO SOCIAL? UMA BREVE VISÃO GERAL DE SUA HISTÓRIA E DOS TEMAS DE QUE TRATA
Em nossa exploração da cognição social, mergulhamos no estudo de como as pessoas interpretam o que percebem nas outras
pessoas e em si mesmas. Esse processo envolve o uso de uma série de processos psicológicos para obter e processar informações
sobre as pessoas em geral e, por exemplo, para formar julgamentos rápidos sobre elas. Ao longo do tempo, esse campo sofreu
mudanças significativas, desde sua introdução na literatura em 1954 até as subsequentes inovações metodológicas e teóricas.
Os primeiros psicólogos sociais tendiam a se concentrar na análise dos processos internos dos indivíduos em relação ao seu
ambiente social, mas gradualmente a importância dos aspectos sociais na formação de percepções e julgamentos foi reconhecida.
Argumenta-se que a cognição social é compartilhada e socialmente construída, influenciada por fatores culturais e de socialização.
Por exemplo, tem-se observado que pessoas em posições privilegiadas tendem a perceber os menos privilegiados de forma mais
homogênea, refletindo a influência das relações de poder na interpretação da realidade social.
Além disso, reconhece-se que a cognição social não se limita apenas à percepção individual, mas envolve também a interação
entre indivíduos e grupos. Isso significa que nossas cognições podem ser influenciadas pelas informações que recebemos dos
outros, bem como pela maneira como percebemos os outros. Esse foco na cognição social compartilhada e socialmente construída
reflete a compreensão de que a realidade social não é estática, mas dinâmica e moldada por múltiplos fatores.
Portanto, ao estudar a cognição social, busca-se compreender melhor o comportamento e o pensamento dos indivíduos em seu
contexto social, reconhecendo a influência dos fatores sociais, culturais e de interação na formação de percepções e julgamentos.
3. PROCESSAMENTO DE INFORMAÇÕES SOCIAIS: ATENÇÃO, CONSCIÊNCIA, CONTROLE E EFICÁCIA NA COGNIÇÃO SOCIAL
Nesta seção, analisaremos como processamos a informação, ou seja, como lidamos com o que nos chega de fora para poder usá-
la quando precisamos.
Vamos pensar sobre esta situação: um professor está testando seus alunos, tendo examinado previamente muitos alunos do sexo
masculino e depois um aluno do sexo feminino. Este último obtém uma nota mais alta do que os demais alunos que foram
examinados anteriormente. Na minha opinião, a decisão do professor de atribuir-lhe essa nota mais alta foi conscientemente
considerada, com base em uma análise rigorosa de todas as suas respostas.
Até agora, 70% das autoavaliações de pessoas com base em seu comportamento, que foram capazes de camuflar esses
comportamentos, no nosso exemplo a professora poderia chegar ao ponto de dizer que a avaliação influenciou o gênero da aluna
em comparação com seus colegas anteriores. No entanto, para os 30% restantes, a ausência de consciência desses processos é
questionada e mais pesquisas começam a mostrar que há uma grande variedade de processos mentais que podem ser realizados
sem consciência ou intenção por parte dos indivíduos.
Na década de 1970, começou a ser feita uma distinção entre processos automáticos e controlados (Shiffrin e Schneider, 1977). De
acordo com essa primeira divisão, os processos automáticos são não intencionais, incontroláveis, sem esforço e altamente eficazes.
Em contraste, os processos controlados são intencionais, conscientes, podem ser completados e modificados com a vontade dos
indivíduos, e exigem um esforço considerável.
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Feito por MatyBuda
, No entanto, na década de 1980, alguns autores destacaram evidências mostrando que muito poucos processos cognitivos
atendiam a todos os requisitos atribuídos a processos automáticos ou controlados, e que a maioria compartilhava características
de ambos.
Dessa forma, estabelecemos que nossos julgamentos e avaliações podem ser claramente afetados por processos automáticos dos
quais não temos conhecimento. Esses processos automáticos podem influenciar nossas percepções e comportamentos de
maneiras significativas, mesmo sem que tenhamos consciência disso.
4. A MANEIRA COMO ORGANIZAMOS, ARMAZENAMOS E LEMBRAMOS INFORMAÇÕES SOBRE OUTRAS PESSOAS
Dentro da cognição, linhas de pesquisa que enfatizam os processos de formação de impressões parecem ter predominado. De
acordo com essa linha de pesquisa, a percepção é um processo diferente quando se trata de perceber outras pessoas, pois envolve
julgamentos e avaliações subjetivas (Fiske e Taylor, 1991). Considera-se que a percepção social tem uma influência significativa
sobre como as relações são estabelecidas entre as pessoas e como o conhecimento adquirido sobre elas é usado (Leyens et al.,
1981). Nesta seção, focalizaremos a pesquisa que analisa os processos de formação de impressões, falando especificamente sobre
o modo como representamos os esquemas sociais. Esses esquemas nos permitem ter uma sensação agradável de que entendemos
o mundo ao nosso redor relativamente bem. A seguir, definiremos esses esquemas de representação e discutiremos suas
características.
4.1. REGIMES SOCIAIS
Esquemas são estruturas mentais que representam nosso conhecimento sobre um grupo de estímulos que compartilham certos
atributos (Fiske e Taylor, 1991). Eles nos permitem entender as situações mesmo quando temos uma quantidade limitada de
informações. Por exemplo, adolescentes que ingressam no ensino médio podem ter uma situação em que esperam encontrar
professores mais exigentes e disciplinas mais difíceis, embora também anseiem por mais liberdade nesse contexto. Sem esquemas,
nosso mundo não teria sentido, pois eles nos ajudam a entender a vasta quantidade de informações ao nosso redor, dar sentido à
nossa experiência e nos comunicar com os outros.
Os esquemas servem a várias funções, como classificar objetos ou pessoas dentro de um grupo. Por exemplo, aprender a classificar
as coisas por cores desde cedo. A classificação é uma função importante dos esquemas, pois nos permite tratar diferentes objetos,
pessoas ou situações como se fossem iguais, com base no conhecimento prévio que temos sobre aquele grupo.
Além disso, os esquemas permitem inferir características adicionais de um determinado exemplo em relação ao grupo ao qual ele
pertence. Por exemplo, se conhecemos alguém e o classificamos como parte do grupo de andaluzes, é provável que inferimos
certas características sobre essa pessoa, como o amor por sua terra.
Os esquemas também influenciam nossa interpretação de pessoas e situações em nossas vidas diárias. Usamos esquemas
diferentes para perceber a mesma pessoa ou situação, o que pode mudar radicalmente nossa interpretação. Por exemplo,
podemos interpretar o comportamento de uma mulher chorando em um funeral como tristeza, mas o mesmo comportamento
em um casamento seria interpretado como alegria.
Esses esquemas são muitas vezes compartilhados dentro da mesma cultura, o que facilita a comunicação entre as pessoas. Por
exemplo, quando descrevemos um skinhead para um amigo, não precisamos explicar em detalhes como ele se parece, já que é
provável que nosso amigo compartilhe o mesmo esquema sobre esse tipo de pessoa.
Em suma, esquemas são estruturas cognitivas que nos ajudam a entender e dar sentido ao mundo ao nosso redor, classificar
objetos e pessoas, inferir características adicionais sobre eles e interpretar situações cotidianas. Esses esquemas são ativados e
usados adaptativamente de acordo com o contexto e nossos objetivos pessoais, influenciando nossa percepção e comportamento.
4.1.2. UTILIZAÇÃO DE REGIMES SOCIAIS
Quando interagimos com uma mulher no ônibus, podemos usar diferentes esquemas para interpretar as informações com base
nas pistas que percebemos dela. Algumas pessoas tendem a usar esquemas mais intermediários, que não se concentram
exclusivamente em características como gênero ou idade, mas em traços mais gerais ou pistas facilmente observáveis, como
aparência física ou situação contextual. Além disso, o humor influencia o uso desses esquemas; por exemplo, se estamos de mau
humor, é mais provável que usemos esquemas relacionados à má sorte para interpretar situações negativas.
Em termos de julgamentos e impressões sobre as pessoas, tendemos a usar com mais frequência esquemas que são mais acessíveis
em nossas mentes. Esses esquemas nos permitem formar impressões rápidas e automáticas dos outros. No entanto, por vezes,
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Feito por MatyBuda
Rosa Rodríguez Bailón - Soledad M. Palacios (2013)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
Neste capítulo, exploramos como processamos e usamos a vasta quantidade de informações sociais que recebemos para entender
e agir em nossas interações. Desde como lidamos com informações sobre a orientação sexual de um amigo até como formamos
impressões automáticas das pessoas ao nosso redor, olhamos para os processos cognitivos subjacentes às nossas percepções e
ações sociais.
Discutimos como desenvolvemos representações mentais com base nas informações disponíveis, bem como a importância da
inferência social e das interações na maneira como percebemos os outros. Além disso, revisamos abordagens clássicas que tentam
explicar como passamos a formar impressões gerais sobre as pessoas e a relevância das interações sociais nesse processo.
Em suma, exploramos como gerenciamos as informações sociais para entender e nos comportar de forma eficaz em nosso
ambiente social.
2. O QUE É COGNIÇÃO SOCIAL? UMA BREVE VISÃO GERAL DE SUA HISTÓRIA E DOS TEMAS DE QUE TRATA
Em nossa exploração da cognição social, mergulhamos no estudo de como as pessoas interpretam o que percebem nas outras
pessoas e em si mesmas. Esse processo envolve o uso de uma série de processos psicológicos para obter e processar informações
sobre as pessoas em geral e, por exemplo, para formar julgamentos rápidos sobre elas. Ao longo do tempo, esse campo sofreu
mudanças significativas, desde sua introdução na literatura em 1954 até as subsequentes inovações metodológicas e teóricas.
Os primeiros psicólogos sociais tendiam a se concentrar na análise dos processos internos dos indivíduos em relação ao seu
ambiente social, mas gradualmente a importância dos aspectos sociais na formação de percepções e julgamentos foi reconhecida.
Argumenta-se que a cognição social é compartilhada e socialmente construída, influenciada por fatores culturais e de socialização.
Por exemplo, tem-se observado que pessoas em posições privilegiadas tendem a perceber os menos privilegiados de forma mais
homogênea, refletindo a influência das relações de poder na interpretação da realidade social.
Além disso, reconhece-se que a cognição social não se limita apenas à percepção individual, mas envolve também a interação
entre indivíduos e grupos. Isso significa que nossas cognições podem ser influenciadas pelas informações que recebemos dos
outros, bem como pela maneira como percebemos os outros. Esse foco na cognição social compartilhada e socialmente construída
reflete a compreensão de que a realidade social não é estática, mas dinâmica e moldada por múltiplos fatores.
Portanto, ao estudar a cognição social, busca-se compreender melhor o comportamento e o pensamento dos indivíduos em seu
contexto social, reconhecendo a influência dos fatores sociais, culturais e de interação na formação de percepções e julgamentos.
3. PROCESSAMENTO DE INFORMAÇÕES SOCIAIS: ATENÇÃO, CONSCIÊNCIA, CONTROLE E EFICÁCIA NA COGNIÇÃO SOCIAL
Nesta seção, analisaremos como processamos a informação, ou seja, como lidamos com o que nos chega de fora para poder usá-
la quando precisamos.
Vamos pensar sobre esta situação: um professor está testando seus alunos, tendo examinado previamente muitos alunos do sexo
masculino e depois um aluno do sexo feminino. Este último obtém uma nota mais alta do que os demais alunos que foram
examinados anteriormente. Na minha opinião, a decisão do professor de atribuir-lhe essa nota mais alta foi conscientemente
considerada, com base em uma análise rigorosa de todas as suas respostas.
Até agora, 70% das autoavaliações de pessoas com base em seu comportamento, que foram capazes de camuflar esses
comportamentos, no nosso exemplo a professora poderia chegar ao ponto de dizer que a avaliação influenciou o gênero da aluna
em comparação com seus colegas anteriores. No entanto, para os 30% restantes, a ausência de consciência desses processos é
questionada e mais pesquisas começam a mostrar que há uma grande variedade de processos mentais que podem ser realizados
sem consciência ou intenção por parte dos indivíduos.
Na década de 1970, começou a ser feita uma distinção entre processos automáticos e controlados (Shiffrin e Schneider, 1977). De
acordo com essa primeira divisão, os processos automáticos são não intencionais, incontroláveis, sem esforço e altamente eficazes.
Em contraste, os processos controlados são intencionais, conscientes, podem ser completados e modificados com a vontade dos
indivíduos, e exigem um esforço considerável.
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Feito por MatyBuda
, No entanto, na década de 1980, alguns autores destacaram evidências mostrando que muito poucos processos cognitivos
atendiam a todos os requisitos atribuídos a processos automáticos ou controlados, e que a maioria compartilhava características
de ambos.
Dessa forma, estabelecemos que nossos julgamentos e avaliações podem ser claramente afetados por processos automáticos dos
quais não temos conhecimento. Esses processos automáticos podem influenciar nossas percepções e comportamentos de
maneiras significativas, mesmo sem que tenhamos consciência disso.
4. A MANEIRA COMO ORGANIZAMOS, ARMAZENAMOS E LEMBRAMOS INFORMAÇÕES SOBRE OUTRAS PESSOAS
Dentro da cognição, linhas de pesquisa que enfatizam os processos de formação de impressões parecem ter predominado. De
acordo com essa linha de pesquisa, a percepção é um processo diferente quando se trata de perceber outras pessoas, pois envolve
julgamentos e avaliações subjetivas (Fiske e Taylor, 1991). Considera-se que a percepção social tem uma influência significativa
sobre como as relações são estabelecidas entre as pessoas e como o conhecimento adquirido sobre elas é usado (Leyens et al.,
1981). Nesta seção, focalizaremos a pesquisa que analisa os processos de formação de impressões, falando especificamente sobre
o modo como representamos os esquemas sociais. Esses esquemas nos permitem ter uma sensação agradável de que entendemos
o mundo ao nosso redor relativamente bem. A seguir, definiremos esses esquemas de representação e discutiremos suas
características.
4.1. REGIMES SOCIAIS
Esquemas são estruturas mentais que representam nosso conhecimento sobre um grupo de estímulos que compartilham certos
atributos (Fiske e Taylor, 1991). Eles nos permitem entender as situações mesmo quando temos uma quantidade limitada de
informações. Por exemplo, adolescentes que ingressam no ensino médio podem ter uma situação em que esperam encontrar
professores mais exigentes e disciplinas mais difíceis, embora também anseiem por mais liberdade nesse contexto. Sem esquemas,
nosso mundo não teria sentido, pois eles nos ajudam a entender a vasta quantidade de informações ao nosso redor, dar sentido à
nossa experiência e nos comunicar com os outros.
Os esquemas servem a várias funções, como classificar objetos ou pessoas dentro de um grupo. Por exemplo, aprender a classificar
as coisas por cores desde cedo. A classificação é uma função importante dos esquemas, pois nos permite tratar diferentes objetos,
pessoas ou situações como se fossem iguais, com base no conhecimento prévio que temos sobre aquele grupo.
Além disso, os esquemas permitem inferir características adicionais de um determinado exemplo em relação ao grupo ao qual ele
pertence. Por exemplo, se conhecemos alguém e o classificamos como parte do grupo de andaluzes, é provável que inferimos
certas características sobre essa pessoa, como o amor por sua terra.
Os esquemas também influenciam nossa interpretação de pessoas e situações em nossas vidas diárias. Usamos esquemas
diferentes para perceber a mesma pessoa ou situação, o que pode mudar radicalmente nossa interpretação. Por exemplo,
podemos interpretar o comportamento de uma mulher chorando em um funeral como tristeza, mas o mesmo comportamento
em um casamento seria interpretado como alegria.
Esses esquemas são muitas vezes compartilhados dentro da mesma cultura, o que facilita a comunicação entre as pessoas. Por
exemplo, quando descrevemos um skinhead para um amigo, não precisamos explicar em detalhes como ele se parece, já que é
provável que nosso amigo compartilhe o mesmo esquema sobre esse tipo de pessoa.
Em suma, esquemas são estruturas cognitivas que nos ajudam a entender e dar sentido ao mundo ao nosso redor, classificar
objetos e pessoas, inferir características adicionais sobre eles e interpretar situações cotidianas. Esses esquemas são ativados e
usados adaptativamente de acordo com o contexto e nossos objetivos pessoais, influenciando nossa percepção e comportamento.
4.1.2. UTILIZAÇÃO DE REGIMES SOCIAIS
Quando interagimos com uma mulher no ônibus, podemos usar diferentes esquemas para interpretar as informações com base
nas pistas que percebemos dela. Algumas pessoas tendem a usar esquemas mais intermediários, que não se concentram
exclusivamente em características como gênero ou idade, mas em traços mais gerais ou pistas facilmente observáveis, como
aparência física ou situação contextual. Além disso, o humor influencia o uso desses esquemas; por exemplo, se estamos de mau
humor, é mais provável que usemos esquemas relacionados à má sorte para interpretar situações negativas.
Em termos de julgamentos e impressões sobre as pessoas, tendemos a usar com mais frequência esquemas que são mais acessíveis
em nossas mentes. Esses esquemas nos permitem formar impressões rápidas e automáticas dos outros. No entanto, por vezes,
2
Feito por MatyBuda