CONTROLE PSICOLÓGICO: REATÂNCIA, DESAMPARO E LÓCUS DE CONTROLE
Fernanda Sosa - Elena Zubieta (2020)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
O estudo das crenças sobre nossa capacidade de controlar o ambiente é essencial na psicologia social, pois afeta a forma como
percebemos o mundo como previsível e menos ameaçador (Barreiro e Zubieta, 2011). Essas crenças, conhecidas como Controle
Psicológico, influenciam nossa adaptação e ação no ambiente (Blanco & Díaz, 2007).
Controle é entendido como conhecimento, poder, autoconfiança, domínio do ambiente e liberdade. As teorias de controle incluem
Reatância Psicológica (Brehm, 1966), Desamparo Aprendido (Seligman, 1975) e Locus de Controle (Rotter, 1966).
A percepção de controle reduz a incerteza e a insegurança, enquanto a falta de controle as aumenta. A ilusão de controle implica
uma superestimação de nossas habilidades para lidar com a realidade.
Ubillos e Zubieta (2001) destacam a Falsa Unicidade, onde acreditamos ter mais capacidades e agir mais adequadamente às
normas sociais do que os outros. Controlabilidade e previsibilidade são fatores-chave; Apesar de independentes, eles estão
relacionados. Quanto mais pudermos prever um evento, mais fácil será controlá-lo.
A pandemia de COVID-19 desafia esses conceitos, pois a falta de previsibilidade e controle leva a distúrbios psicológicos e
emocionais. A percepção de controle e respostas efetivas são cruciais para lidar com essa situação.
2. REATÂNCIA PSICOLÓGICA
A Reatância Psicológica, proposta por Brehm (1966), sustenta que quando nos sentimos ameaçados ou perdemos nossa liberdade,
experimentamos um estado emocional e realizamos estratégias para restaurá-lo. Segundo Fernandez (1994), Brehm observou essa
tendência em crianças pequenas que demonstraram maior interesse por objetos proibidos. A reatância surge quando percebemos
que nossas opções comportamentais e capacidade de tomada de decisão são limitadas, podendo ser desencadeadas por ameaças
reais ou imaginárias.
Esse fenômeno pode ocorrer quando se exerce pressão para aceitar um ponto de vista, como nas decisões acadêmicas impostas
pela família. A reatância psicológica envolve dois elementos: a liberdade (ações e decisões que acreditamos ter o direito de exercer)
e a ameaça a essa liberdade. Esse fenômeno tem sido observado em situações grupais, como quando direitos fundamentais são
negados e movimentos sociais emergem em resposta.
Wortman e Brehm (1975) identificaram fatores que influenciam a intensidade da reatância:
- Expectativa de liberdade: Quanto mais acreditamos que temos liberdade, maior a reação quando ela é limitada.
- Importância da liberdade: A reação é mais intensa se a liberdade é importante para nós.
- Força da ameaça: A eliminação de uma liberdade gera mais reação do que uma simples ameaça.
- Implicações para outras liberdades: A reação varia de acordo com as consequências percebidas para outras liberdades.
Esses fatores variam ao longo do tempo e dos contextos socioculturais. Por exemplo, a expectativa de liberdade das mulheres na
Argentina mudou significativamente desde 1940. Além disso, crenças e papéis de gênero também influenciam essas expectativas.
A teoria da reatância psicológica também prevê:
- Mudança na atratividade de resultados: A motivação para realizar um comportamento aumenta se nossa liberdade para o realizar
estiver ameaçada.
- Dedicação ao comportamento ameaçado: Tentamos restaurar nossa liberdade engajando-nos no comportamento em questão,
dependendo do custo percebido.
- Restauração por implicação: Nós nos envolvemos em comportamentos relacionados para sugerir que podemos realizar o
comportamento ameaçado.
- Sentimentos hostis e agressivos: A ameaça à nossa liberdade pode gerar sentimentos hostis em relação ao agente responsável.
1
Feito por MatyBuda
Fernanda Sosa - Elena Zubieta (2020)
Resumo:
1. INTRODUÇÃO
O estudo das crenças sobre nossa capacidade de controlar o ambiente é essencial na psicologia social, pois afeta a forma como
percebemos o mundo como previsível e menos ameaçador (Barreiro e Zubieta, 2011). Essas crenças, conhecidas como Controle
Psicológico, influenciam nossa adaptação e ação no ambiente (Blanco & Díaz, 2007).
Controle é entendido como conhecimento, poder, autoconfiança, domínio do ambiente e liberdade. As teorias de controle incluem
Reatância Psicológica (Brehm, 1966), Desamparo Aprendido (Seligman, 1975) e Locus de Controle (Rotter, 1966).
A percepção de controle reduz a incerteza e a insegurança, enquanto a falta de controle as aumenta. A ilusão de controle implica
uma superestimação de nossas habilidades para lidar com a realidade.
Ubillos e Zubieta (2001) destacam a Falsa Unicidade, onde acreditamos ter mais capacidades e agir mais adequadamente às
normas sociais do que os outros. Controlabilidade e previsibilidade são fatores-chave; Apesar de independentes, eles estão
relacionados. Quanto mais pudermos prever um evento, mais fácil será controlá-lo.
A pandemia de COVID-19 desafia esses conceitos, pois a falta de previsibilidade e controle leva a distúrbios psicológicos e
emocionais. A percepção de controle e respostas efetivas são cruciais para lidar com essa situação.
2. REATÂNCIA PSICOLÓGICA
A Reatância Psicológica, proposta por Brehm (1966), sustenta que quando nos sentimos ameaçados ou perdemos nossa liberdade,
experimentamos um estado emocional e realizamos estratégias para restaurá-lo. Segundo Fernandez (1994), Brehm observou essa
tendência em crianças pequenas que demonstraram maior interesse por objetos proibidos. A reatância surge quando percebemos
que nossas opções comportamentais e capacidade de tomada de decisão são limitadas, podendo ser desencadeadas por ameaças
reais ou imaginárias.
Esse fenômeno pode ocorrer quando se exerce pressão para aceitar um ponto de vista, como nas decisões acadêmicas impostas
pela família. A reatância psicológica envolve dois elementos: a liberdade (ações e decisões que acreditamos ter o direito de exercer)
e a ameaça a essa liberdade. Esse fenômeno tem sido observado em situações grupais, como quando direitos fundamentais são
negados e movimentos sociais emergem em resposta.
Wortman e Brehm (1975) identificaram fatores que influenciam a intensidade da reatância:
- Expectativa de liberdade: Quanto mais acreditamos que temos liberdade, maior a reação quando ela é limitada.
- Importância da liberdade: A reação é mais intensa se a liberdade é importante para nós.
- Força da ameaça: A eliminação de uma liberdade gera mais reação do que uma simples ameaça.
- Implicações para outras liberdades: A reação varia de acordo com as consequências percebidas para outras liberdades.
Esses fatores variam ao longo do tempo e dos contextos socioculturais. Por exemplo, a expectativa de liberdade das mulheres na
Argentina mudou significativamente desde 1940. Além disso, crenças e papéis de gênero também influenciam essas expectativas.
A teoria da reatância psicológica também prevê:
- Mudança na atratividade de resultados: A motivação para realizar um comportamento aumenta se nossa liberdade para o realizar
estiver ameaçada.
- Dedicação ao comportamento ameaçado: Tentamos restaurar nossa liberdade engajando-nos no comportamento em questão,
dependendo do custo percebido.
- Restauração por implicação: Nós nos envolvemos em comportamentos relacionados para sugerir que podemos realizar o
comportamento ameaçado.
- Sentimentos hostis e agressivos: A ameaça à nossa liberdade pode gerar sentimentos hostis em relação ao agente responsável.
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Feito por MatyBuda