OBSESSÕES E FOBIAS
Sigmund Freud (1895)
Resumo:
ESCLARECIMENTO PRELIMINAR
Começaremos negando duas afirmações comuns sobre obsessões e fobias: 1) Elas não fazem parte da neurastenia, pois afetam
tanto os neurastênicos quanto outros. 2) Não estão necessariamente ligados à degeneração mental, pois podem ser corrigidos ou
curados. São neuroses separadas, com mecanismo e etiologia próprios. Excluímos obsessões intensas que são lembranças de
eventos importantes, relacionados à histeria. Distinguimos entre auto obsessões e fobias; os primeiros têm uma ideia imposta ao
paciente e um estado emocional associado, que pode ser dúvida, remorso ou raiva, enquanto nas fobias é sempre angústia.
Exploraremos o mecanismo psicológico das auto obsessões, que é diferente do das fobias.
I. Em muitas obsessões genuínas, o estado emocional é primordial, pois persiste enquanto a ideia associada variar. Por exemplo,
um indivíduo pode experimentar vários arrependimentos diferentes ou duvidar de várias coisas em sucessão, mas o estado
emocional permanece constante.
Em outros casos, a ideia associada pode ser fixa, como no caso de uma pessoa que odeia as empregadas de sua casa, mas muda a
pessoa a quem esse ódio é direcionado. Uma análise psicológica detalhada revela que o estado emocional é sempre justificado.
No entanto, o patológico é que esse estado se torna crônico e a ideia associada deixa de ser a original, relacionada à causa da
obsessão, para se tornar uma ideia substituta. Essa ideia substituta geralmente corresponde a experiências dolorosas na vida
sexual do indivíduo que ele tentou reprimir, conseguindo apenas substitui-la por outra ideia inadequada.
Essa conexão forçada entre o estado emocional e a ideia associada é o que causa o absurdo das obsessões.
Aqui apresentaremos nossas observações e, em seguida, daremos uma tentativa de explicação teórica.
No comentário número 1, uma jovem se recriminou por ter cometido vários atos imorais, mas, na realidade, ela se culpou por
praticar secretamente o onanismo. Essa prática foi mantida até ser controlada por uma observação meticulosa que a impediu de
se masturbar.
Na observação número 2, um estudante de medicina culpava-se por múltiplos atos imorais, influenciado pelo que lera sobre os
efeitos negativos do onanismo.
Na observação número 3, várias mulheres queixaram-se de impulsos obsessivos de automutilação, mas, na realidade, essas
obsessões surgiram de sua insatisfação conjugal e lutaram com desejos e pensamentos voluptuosos em relação a outros homens.
Na observação número 4, uma jovem odiava intensamente as empregadas domésticas da casa por causa de uma experiência
traumática relacionada a um incidente amoroso de sua mãe. Esse ódio se enraizou e se manifestou como repulsa pelas
empregadas.
Na observação número 5, uma jovem estava experimentando um medo obsessivo de incontinência urinária, que na verdade era
um reflexo de seu medo de expressar seus impulsos amorosos.
As observações a seguir mostram como a ideia original de obsessão foi substituída por atos ou impulsos que originalmente serviam
como alívio ou proteção, mas agora estão grotescamente associados a um estado emocional, sem se harmonizar com ele.
Em resumo, essas observações destacam que as obsessões podem surgir de experiências traumáticas subjacentes ou impulsos
reprimidos, e que a substituição da ideia original pode se manifestar de várias maneiras, da compulsão à dúvida obsessiva e à
misofobia.
Em relação à teoria dessa substituição, responderemos a três questões-chave:
1. Como é feita a substituição? Parece ser uma expressão de uma disposição psíquica especial, semelhante ao que frequentemente
encontramos na histeria. Por exemplo, o paciente da observação número 2 tinha história familiar semelhante, sugerindo uma
predisposição hereditária.
1
Feito por MatyBuda
Sigmund Freud (1895)
Resumo:
ESCLARECIMENTO PRELIMINAR
Começaremos negando duas afirmações comuns sobre obsessões e fobias: 1) Elas não fazem parte da neurastenia, pois afetam
tanto os neurastênicos quanto outros. 2) Não estão necessariamente ligados à degeneração mental, pois podem ser corrigidos ou
curados. São neuroses separadas, com mecanismo e etiologia próprios. Excluímos obsessões intensas que são lembranças de
eventos importantes, relacionados à histeria. Distinguimos entre auto obsessões e fobias; os primeiros têm uma ideia imposta ao
paciente e um estado emocional associado, que pode ser dúvida, remorso ou raiva, enquanto nas fobias é sempre angústia.
Exploraremos o mecanismo psicológico das auto obsessões, que é diferente do das fobias.
I. Em muitas obsessões genuínas, o estado emocional é primordial, pois persiste enquanto a ideia associada variar. Por exemplo,
um indivíduo pode experimentar vários arrependimentos diferentes ou duvidar de várias coisas em sucessão, mas o estado
emocional permanece constante.
Em outros casos, a ideia associada pode ser fixa, como no caso de uma pessoa que odeia as empregadas de sua casa, mas muda a
pessoa a quem esse ódio é direcionado. Uma análise psicológica detalhada revela que o estado emocional é sempre justificado.
No entanto, o patológico é que esse estado se torna crônico e a ideia associada deixa de ser a original, relacionada à causa da
obsessão, para se tornar uma ideia substituta. Essa ideia substituta geralmente corresponde a experiências dolorosas na vida
sexual do indivíduo que ele tentou reprimir, conseguindo apenas substitui-la por outra ideia inadequada.
Essa conexão forçada entre o estado emocional e a ideia associada é o que causa o absurdo das obsessões.
Aqui apresentaremos nossas observações e, em seguida, daremos uma tentativa de explicação teórica.
No comentário número 1, uma jovem se recriminou por ter cometido vários atos imorais, mas, na realidade, ela se culpou por
praticar secretamente o onanismo. Essa prática foi mantida até ser controlada por uma observação meticulosa que a impediu de
se masturbar.
Na observação número 2, um estudante de medicina culpava-se por múltiplos atos imorais, influenciado pelo que lera sobre os
efeitos negativos do onanismo.
Na observação número 3, várias mulheres queixaram-se de impulsos obsessivos de automutilação, mas, na realidade, essas
obsessões surgiram de sua insatisfação conjugal e lutaram com desejos e pensamentos voluptuosos em relação a outros homens.
Na observação número 4, uma jovem odiava intensamente as empregadas domésticas da casa por causa de uma experiência
traumática relacionada a um incidente amoroso de sua mãe. Esse ódio se enraizou e se manifestou como repulsa pelas
empregadas.
Na observação número 5, uma jovem estava experimentando um medo obsessivo de incontinência urinária, que na verdade era
um reflexo de seu medo de expressar seus impulsos amorosos.
As observações a seguir mostram como a ideia original de obsessão foi substituída por atos ou impulsos que originalmente serviam
como alívio ou proteção, mas agora estão grotescamente associados a um estado emocional, sem se harmonizar com ele.
Em resumo, essas observações destacam que as obsessões podem surgir de experiências traumáticas subjacentes ou impulsos
reprimidos, e que a substituição da ideia original pode se manifestar de várias maneiras, da compulsão à dúvida obsessiva e à
misofobia.
Em relação à teoria dessa substituição, responderemos a três questões-chave:
1. Como é feita a substituição? Parece ser uma expressão de uma disposição psíquica especial, semelhante ao que frequentemente
encontramos na histeria. Por exemplo, o paciente da observação número 2 tinha história familiar semelhante, sugerindo uma
predisposição hereditária.
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Feito por MatyBuda