SOBRE TEORIAS SEXUAIS INFANTIS
Sigmund Freud (1908)
Resumo:
O conhecimento que reunimos vem de uma variedade de fontes. Primeiro, a observação direta das crianças e suas expressões
sexuais. Em segundo lugar, as comunicações de adultos neuróticos durante o tratamento psicanalítico, relembrando sua infância.
E terceiro, inferências a partir de memórias inconscientes obtidas através da psicanálise. Reconheço que a negação da atividade
sexual infantil pelos adultos limita nossa compreensão. As comunicações em adultos podem ser enviesadas por retrospectiva e
neurose subsequente. Apesar das críticas à psicanálise, quem a prática confia em seus resultados.
É um desafio determinar quais aspectos podem ser generalizados sobre a infância, dada a pressão educacional e as variações
individuais na pulsão sexual. É por isso que escolhi sintetizar o que é relevante para diferentes crianças em diferentes momentos,
em vez de seguir uma linha do tempo estrita. Estou convencido de que nenhuma criança pode evitar enfrentar problemas sexuais
antes da puberdade.
Não considero válida a objeção de que os neuróticos são uma classe separada de seres humanos. As neuroses não têm um
conteúdo psíquico exclusivo; eles surgem dos mesmos complexos que afetam a todos. Na infância, neuróticos e crianças saudáveis
estão mais próximos um do outro, o que nos permite entender melhor o comportamento sexual das crianças através das
comunicações das primeiras. O intenso impulso sexual e a maturidade prematura dos neuróticos podem revelar mais sobre a
sexualidade infantil do que nossa observação direta poderia mostrar. Além disso, o real valor dessas comunicações neuróticas
adultas só será apreciado se as memórias de adultos saudáveis também forem coletadas, seguindo o exemplo de Havelock Ellis.
Os trabalhos que apresento enfocam o desenvolvimento sexual das crianças, especificamente o sexo masculino, devido a
circunstâncias internas e externas. Meu objetivo não é apenas descrever, mas também explorar teorias sexuais infantis e sua
influência na formação de neuroses. Entender essas teorias não é apenas interessante por si só, mas também pode lançar luz sobre
mitos e contos tradicionais.
As crianças não costumam iniciar suas investigações sexuais do ponto de vista da diferença de gênero. Em vez disso, seu interesse
geralmente é despertado quando eles experimentam a chegada de um novo irmãozinho. Essa experiência os leva a questionar de
onde vêm os filhos, iniciando assim seu primeiro grande problema na vida. No entanto, as respostas evasivas ou mitológicas que
recebem dos adultos podem gerar desconfiança e sigilo em suas investigações posteriores.
O conflito entre as opiniões dos adultos e as próprias pode levar a uma cisão psíquica, onde uma opinião se torna dominante e
consciente, enquanto a outra é suprimida e tornada inconsciente, formando assim o núcleo de uma neurose.
Recentemente, através da análise de uma criança de cinco anos, confirmei a capacidade da criança de entender a conexão entre
a gravidez de sua mãe e o nascimento de um irmão ou irmã. No entanto, esse conhecimento inicial tende a ser mantido em segredo
e mais tarde será suprimido em relação ao seu desenvolvimento sexual posterior.
Em suma, a compreensão das teorias sexuais infantis não se limita apenas à crença na cegonha, mas engloba observações mais
próximas da realidade da reprodução. No entanto, a ignorância e as falsas teorias, influenciadas pelo seu próprio desenvolvimento
sexual, podem dificultar sua plena compreensão do assunto.
Essas falsas teorias sexuais, embora grotescamente errôneas, contêm fragmentos de verdade e refletem as necessidades
psicossexuais da criança em desenvolvimento. A primeira dessas teorias surge da falta de compreensão das diferenças entre os
sexos e consiste em atribuir um pênis a todos, inclusive às mulheres. Esse conceito se enraíza na mente da criança e pode levar à
ideia de que a mulher tem um pênis pequeno ou incompleto, o que pode contribuir para o desenvolvimento da homossexualidade
em casos extremos.
A menina, por outro lado, pode ter inveja do pênis masculino e desejar ser um menino, refletindo uma falta percebida em sua
própria anatomia. Além disso, a criança pode desenvolver a teoria de que o bebê nasce através da abertura do intestino, uma ideia
que pode derivar de uma compreensão limitada da anatomia e da observação de que os excrementos são evacuados dessa forma.
Essas teorias podem parecer perturbadoras para os adultos, mas para as crianças são simplesmente tentativas de entender o
mundo ao seu redor, com base em suas experiências e limitações cognitivas. Além disso, essas ideias podem mudar e ser
esquecidas à medida que a criança cresce e adquire novos conhecimentos e experiências.
Então, para a criança, era lógico pensar que, se as crianças nascessem através do ânus, tanto homens quanto mulheres poderiam
dar à luz. Essa ideia não implicava feminização, mas simplesmente ativava seu erotismo anal. Se a teoria da cloaca, sobre o
1
Feito por MatyBuda
Sigmund Freud (1908)
Resumo:
O conhecimento que reunimos vem de uma variedade de fontes. Primeiro, a observação direta das crianças e suas expressões
sexuais. Em segundo lugar, as comunicações de adultos neuróticos durante o tratamento psicanalítico, relembrando sua infância.
E terceiro, inferências a partir de memórias inconscientes obtidas através da psicanálise. Reconheço que a negação da atividade
sexual infantil pelos adultos limita nossa compreensão. As comunicações em adultos podem ser enviesadas por retrospectiva e
neurose subsequente. Apesar das críticas à psicanálise, quem a prática confia em seus resultados.
É um desafio determinar quais aspectos podem ser generalizados sobre a infância, dada a pressão educacional e as variações
individuais na pulsão sexual. É por isso que escolhi sintetizar o que é relevante para diferentes crianças em diferentes momentos,
em vez de seguir uma linha do tempo estrita. Estou convencido de que nenhuma criança pode evitar enfrentar problemas sexuais
antes da puberdade.
Não considero válida a objeção de que os neuróticos são uma classe separada de seres humanos. As neuroses não têm um
conteúdo psíquico exclusivo; eles surgem dos mesmos complexos que afetam a todos. Na infância, neuróticos e crianças saudáveis
estão mais próximos um do outro, o que nos permite entender melhor o comportamento sexual das crianças através das
comunicações das primeiras. O intenso impulso sexual e a maturidade prematura dos neuróticos podem revelar mais sobre a
sexualidade infantil do que nossa observação direta poderia mostrar. Além disso, o real valor dessas comunicações neuróticas
adultas só será apreciado se as memórias de adultos saudáveis também forem coletadas, seguindo o exemplo de Havelock Ellis.
Os trabalhos que apresento enfocam o desenvolvimento sexual das crianças, especificamente o sexo masculino, devido a
circunstâncias internas e externas. Meu objetivo não é apenas descrever, mas também explorar teorias sexuais infantis e sua
influência na formação de neuroses. Entender essas teorias não é apenas interessante por si só, mas também pode lançar luz sobre
mitos e contos tradicionais.
As crianças não costumam iniciar suas investigações sexuais do ponto de vista da diferença de gênero. Em vez disso, seu interesse
geralmente é despertado quando eles experimentam a chegada de um novo irmãozinho. Essa experiência os leva a questionar de
onde vêm os filhos, iniciando assim seu primeiro grande problema na vida. No entanto, as respostas evasivas ou mitológicas que
recebem dos adultos podem gerar desconfiança e sigilo em suas investigações posteriores.
O conflito entre as opiniões dos adultos e as próprias pode levar a uma cisão psíquica, onde uma opinião se torna dominante e
consciente, enquanto a outra é suprimida e tornada inconsciente, formando assim o núcleo de uma neurose.
Recentemente, através da análise de uma criança de cinco anos, confirmei a capacidade da criança de entender a conexão entre
a gravidez de sua mãe e o nascimento de um irmão ou irmã. No entanto, esse conhecimento inicial tende a ser mantido em segredo
e mais tarde será suprimido em relação ao seu desenvolvimento sexual posterior.
Em suma, a compreensão das teorias sexuais infantis não se limita apenas à crença na cegonha, mas engloba observações mais
próximas da realidade da reprodução. No entanto, a ignorância e as falsas teorias, influenciadas pelo seu próprio desenvolvimento
sexual, podem dificultar sua plena compreensão do assunto.
Essas falsas teorias sexuais, embora grotescamente errôneas, contêm fragmentos de verdade e refletem as necessidades
psicossexuais da criança em desenvolvimento. A primeira dessas teorias surge da falta de compreensão das diferenças entre os
sexos e consiste em atribuir um pênis a todos, inclusive às mulheres. Esse conceito se enraíza na mente da criança e pode levar à
ideia de que a mulher tem um pênis pequeno ou incompleto, o que pode contribuir para o desenvolvimento da homossexualidade
em casos extremos.
A menina, por outro lado, pode ter inveja do pênis masculino e desejar ser um menino, refletindo uma falta percebida em sua
própria anatomia. Além disso, a criança pode desenvolver a teoria de que o bebê nasce através da abertura do intestino, uma ideia
que pode derivar de uma compreensão limitada da anatomia e da observação de que os excrementos são evacuados dessa forma.
Essas teorias podem parecer perturbadoras para os adultos, mas para as crianças são simplesmente tentativas de entender o
mundo ao seu redor, com base em suas experiências e limitações cognitivas. Além disso, essas ideias podem mudar e ser
esquecidas à medida que a criança cresce e adquire novos conhecimentos e experiências.
Então, para a criança, era lógico pensar que, se as crianças nascessem através do ânus, tanto homens quanto mulheres poderiam
dar à luz. Essa ideia não implicava feminização, mas simplesmente ativava seu erotismo anal. Se a teoria da cloaca, sobre o
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Feito por MatyBuda