A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS: EU VI A OBRA DO SONHO
(INTRODUÇÃO, A, B, C, D)
Sigmund Freud (1900)
Resumo:
INTRODUÇÃO
Até agora, todas as tentativas de resolver problemas de sono procederam diretamente do conteúdo manifesto, como apresentado
pela memória, e se esforçaram para interpretar ou basear julgamentos sobre o sono com base nesse conteúdo.
No entanto, abordamos uma explicação diferente: introduzimos um novo material psíquico, os pensamentos latentes do sonho,
obtidos através do nosso método. Desenvolvemos a solução do sonho a partir desses pensamentos latentes, não do conteúdo
manifesto, que nos apresenta uma nova tarefa: investigar as relações entre o conteúdo manifesto e os pensamentos latentes do
sonho, bem como os processos pelos quais estes últimos se tornam os primeiros.
Para nós, pensamentos e conteúdos oníricos são duas representações do mesmo conteúdo em linguagens diferentes; O conteúdo
do sonho é apresentado como uma transferência dos pensamentos do sonho para outro modo de expressão.
Os pensamentos do sonho são compreensíveis para nós uma vez que os conhecemos, enquanto o conteúdo do sonho nos é
mostrado como um pictograma que devemos traduzir para a linguagem dos pensamentos oníricos. Seria um erro interpretar esses
signos de acordo com seu valor figurativo e não com sua referência significativa.
Nossos antecessores cometeram esse erro ao considerar o pictograma como uma composição pictórica, o que os levou a considerá-
lo absurdo e sem valor.
A. TRABALHOS DE CONDENSAÇÃO
A comparação entre o conteúdo do sonho e os pensamentos oníricos revela um grande trabalho de condensação na formação do
sonho. Embora o sonho seja breve em comparação com a riqueza dos pensamentos oníricos, estes últimos ocupam muito mais
espaço na análise. Essa relação varia, mas há sempre uma subestimação da compressão produzida, pois acredita-se que os
pensamentos oníricos trazidos à luz constituem o material completo, quando na verdade outros escondidos atrás do sonho podem
ser descobertos se a interpretação for continuada.
A desproporção entre conteúdo onírico e pensamentos sugere uma ampla condensação de material psíquico na formação do
sonho. Embora a sensação de ter sonhado muito mais do que nos lembramos possa suscitar dúvidas, o fato de um grande
fragmento do sonho ser perdido na memória não refuta a ideia de condensação, como mostram as massas de representações
relativas aos fragmentos oníricos preservados.
Apesar das dúvidas sobre se todos os pensamentos revelados na análise estavam ativos durante o sono, a maioria das conexões
de pensamento descobertas parece estar envolvida na formação dos sonhos. Além disso, a condensação no sono permanece um
fato, embora não haja uma representação clara do estado da psique durante o sono.
A condensação no sonho parece surgir principalmente por omissão, uma vez que apenas alguns elementos dos pensamentos
oníricos se refletem no conteúdo do sonho. A questão que se coloca é saber que condições determinam essa escolha.
B. O TRABALHO DE DESLOCAMENTO {COMPENSAÇÃO}
Ao reunir exemplos de condensação de sonhos, notamos outra relação importante. Os elementos que parecem essenciais no
conteúdo manifesto do sonho não desempenham o mesmo papel nos pensamentos oníricos. O que constitui o conteúdo essencial
nos pensamentos oníricos nem sempre está presente no sonho. O sonho parece centrar-se de forma diferente e seu conteúdo é
organizado em torno de outros elementos que não os pensamentos oníricos. Por exemplo, em alguns sonhos, o centro do conteúdo
onírico não coincide com o elemento mais proeminente nos pensamentos oníricos. Isso nos leva a pensar que esses sonhos estão
"fora do centro".
Por outro lado, há sonhos em que os elementos singulares são mantidos no lugar que ocupam nos pensamentos oníricos. Essa
nova relação entre pensamentos oníricos e conteúdo onírico pode nos intrigar em um primeiro momento. Parece que a intensidade
psíquica das representações singulares não é levada em conta na seleção onírica, mas sim a multilateralidade de sua determinação.
1
Feito por MatyBuda
(INTRODUÇÃO, A, B, C, D)
Sigmund Freud (1900)
Resumo:
INTRODUÇÃO
Até agora, todas as tentativas de resolver problemas de sono procederam diretamente do conteúdo manifesto, como apresentado
pela memória, e se esforçaram para interpretar ou basear julgamentos sobre o sono com base nesse conteúdo.
No entanto, abordamos uma explicação diferente: introduzimos um novo material psíquico, os pensamentos latentes do sonho,
obtidos através do nosso método. Desenvolvemos a solução do sonho a partir desses pensamentos latentes, não do conteúdo
manifesto, que nos apresenta uma nova tarefa: investigar as relações entre o conteúdo manifesto e os pensamentos latentes do
sonho, bem como os processos pelos quais estes últimos se tornam os primeiros.
Para nós, pensamentos e conteúdos oníricos são duas representações do mesmo conteúdo em linguagens diferentes; O conteúdo
do sonho é apresentado como uma transferência dos pensamentos do sonho para outro modo de expressão.
Os pensamentos do sonho são compreensíveis para nós uma vez que os conhecemos, enquanto o conteúdo do sonho nos é
mostrado como um pictograma que devemos traduzir para a linguagem dos pensamentos oníricos. Seria um erro interpretar esses
signos de acordo com seu valor figurativo e não com sua referência significativa.
Nossos antecessores cometeram esse erro ao considerar o pictograma como uma composição pictórica, o que os levou a considerá-
lo absurdo e sem valor.
A. TRABALHOS DE CONDENSAÇÃO
A comparação entre o conteúdo do sonho e os pensamentos oníricos revela um grande trabalho de condensação na formação do
sonho. Embora o sonho seja breve em comparação com a riqueza dos pensamentos oníricos, estes últimos ocupam muito mais
espaço na análise. Essa relação varia, mas há sempre uma subestimação da compressão produzida, pois acredita-se que os
pensamentos oníricos trazidos à luz constituem o material completo, quando na verdade outros escondidos atrás do sonho podem
ser descobertos se a interpretação for continuada.
A desproporção entre conteúdo onírico e pensamentos sugere uma ampla condensação de material psíquico na formação do
sonho. Embora a sensação de ter sonhado muito mais do que nos lembramos possa suscitar dúvidas, o fato de um grande
fragmento do sonho ser perdido na memória não refuta a ideia de condensação, como mostram as massas de representações
relativas aos fragmentos oníricos preservados.
Apesar das dúvidas sobre se todos os pensamentos revelados na análise estavam ativos durante o sono, a maioria das conexões
de pensamento descobertas parece estar envolvida na formação dos sonhos. Além disso, a condensação no sono permanece um
fato, embora não haja uma representação clara do estado da psique durante o sono.
A condensação no sonho parece surgir principalmente por omissão, uma vez que apenas alguns elementos dos pensamentos
oníricos se refletem no conteúdo do sonho. A questão que se coloca é saber que condições determinam essa escolha.
B. O TRABALHO DE DESLOCAMENTO {COMPENSAÇÃO}
Ao reunir exemplos de condensação de sonhos, notamos outra relação importante. Os elementos que parecem essenciais no
conteúdo manifesto do sonho não desempenham o mesmo papel nos pensamentos oníricos. O que constitui o conteúdo essencial
nos pensamentos oníricos nem sempre está presente no sonho. O sonho parece centrar-se de forma diferente e seu conteúdo é
organizado em torno de outros elementos que não os pensamentos oníricos. Por exemplo, em alguns sonhos, o centro do conteúdo
onírico não coincide com o elemento mais proeminente nos pensamentos oníricos. Isso nos leva a pensar que esses sonhos estão
"fora do centro".
Por outro lado, há sonhos em que os elementos singulares são mantidos no lugar que ocupam nos pensamentos oníricos. Essa
nova relação entre pensamentos oníricos e conteúdo onírico pode nos intrigar em um primeiro momento. Parece que a intensidade
psíquica das representações singulares não é levada em conta na seleção onírica, mas sim a multilateralidade de sua determinação.
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Feito por MatyBuda