O EGO E O ID (CAP. III)
Sigmund Freud (1923)
Resumo:
Estamos diante de um estado de coisas em que o ego não é simplesmente aquela parte do id modificada pela influência do sistem a
de percepção, mas também inclui uma diferenciação interna que chamamos de ideal-ego ou superego. Esse aspecto do self tem
uma ligação menos firme com a consciência, o que requer maiores esclarecimentos.
No processo de formação do ego, tem-se observado que a resignação dos objetos sexuais perdidos pode levar a uma alteração do
ego, semelhante ao que ocorre na melancolia. Essa substituição de objetos perdidos por identificações parece ser um processo
comum que contribui essencialmente para a formação do caráter.
Inicialmente, nos estágios iniciais do desenvolvimento, é difícil distinguir entre investidura de objeto e identificação. O ego, embora
fraco no início, recebe essas investiduras objetais do id e pode aceitá-las ou reprimi-las.
A resignação de um objeto sexual pode levar à alteração do self, sugerindo que o self facilita a resignação do objeto por mei o da
introjeção, mesmo em um estágio inicial de desenvolvimento. Essa identificação com a propriedade perdida parece ser um
processo frequente e pode influenciar na formação do caráter de uma pessoa.
A transposição da libido de objeto para libido narcísica implica uma resignação dos objetivos sexuais e uma espécie de sublimação.
Esse processo levanta a questão de saber se a sublimação universal ocorre por meio dessa transformação inicial da libido de o bjeto
em libido narcísica.
As autoidentificações podem se tornar muito numerosas e intensas, o que pode ameaçar desfechos patológicos, como a
fragmentação do self. Conflitos entre diferentes identificações do self também podem surgir, embora não sejam necessariamente
patológicos.
Portanto, podemos dizer que o processo de formação do ego envolve uma complexa interação entre investiduras objetais,
identificações e conflitos, influenciada por fatores como a disposição triangular do complexo de Édipo e a bissexualidade
constitucional do indivíduo.
No caso da criança do sexo masculino, podemos observar como o complexo de Édipo se desenvolve de forma simplificada.
Inicialmente, a criança desenvolve uma investidura de objeto em relação à mãe, enquanto pela identificação assume o poder
paterno. Esses vínculos coexistem até que os desejos sexuais em relação à mãe e a percepção do pai como obstáculo a esses
desejos dão origem ao complexo de Édipo. Nesse momento, a identificação com o pai torna-se hostil e surge o desejo de eliminar
o pai para ocupar seu lugar ao lado da mãe. Essa ambivalência em relação ao pai e a aspiração de um objeto terno em relação à
mãe caracterizam o conteúdo do complexo de Édipo positivo.
Após a resolução do complexo de Édipo, a investidura do objeto em relação à mãe deve ser resignada. Isso pode resultar em duas
possíveis substituições: uma identificação com a mãe ou um reforço da identificação com o pai. Este último é geralmente
considerado o desfecho mais comum, pois permite que o vínculo terno com a mãe seja mantido em alguma medida e reafirma a
masculinidade no caráter da criança.
No entanto, essas identificações nem sempre seguem nossas expectativas. Às vezes, a menina, depois de renunciar ao pai como
objeto de amor, destaca sua masculinidade e se identifica com o pai em vez da mãe. Isso depende da intensidade de suas
disposições masculinas.
A resolução do complexo de Édipo e as identificações subsequentes parecem depender da intensidade relativa das disposições
sexuais da criança. A bissexualidade desempenha um papel crucial nesse processo, dificultando a compreensão das escolhas de
objetos e identificações primitivas.
O surgimento do superego, como resultado da repressão do complexo de Édipo, implica uma alteração no ego. Essa alteração
coloca o superego contra o resto do ego como o ideal do ego. O superego representa não apenas uma advertência sobre como o
indivíduo deve ser, mas também uma proibição sobre o que ele não pode fazer, com base na repressão do complexo de Édipo.
Em suma, o complexo de Édipo e a formação do superego são resultado de complexos fatores biológicos e psicológicos, como a
dependência infantil e a interrupção do desenvolvimento sexual pelo período de latência. Esses processos têm profundas
implicações para o desenvolvimento emocional e moral do indivíduo.
A psicanálise tem sido repreendida inúmeras vezes por não prestar atenção ao que é superior, o moral e o suprapessoal no ser
humano. No entanto, essa reprovação é injusta histórica e metodologicamente. Desde o início, reconhecemos que as tendências
morais e estéticas do self impulsionam o esforço de repressão. Além disso, a pesquisa psicanalítica não poderia emergir como um
1
Feito por MatyBuda
Sigmund Freud (1923)
Resumo:
Estamos diante de um estado de coisas em que o ego não é simplesmente aquela parte do id modificada pela influência do sistem a
de percepção, mas também inclui uma diferenciação interna que chamamos de ideal-ego ou superego. Esse aspecto do self tem
uma ligação menos firme com a consciência, o que requer maiores esclarecimentos.
No processo de formação do ego, tem-se observado que a resignação dos objetos sexuais perdidos pode levar a uma alteração do
ego, semelhante ao que ocorre na melancolia. Essa substituição de objetos perdidos por identificações parece ser um processo
comum que contribui essencialmente para a formação do caráter.
Inicialmente, nos estágios iniciais do desenvolvimento, é difícil distinguir entre investidura de objeto e identificação. O ego, embora
fraco no início, recebe essas investiduras objetais do id e pode aceitá-las ou reprimi-las.
A resignação de um objeto sexual pode levar à alteração do self, sugerindo que o self facilita a resignação do objeto por mei o da
introjeção, mesmo em um estágio inicial de desenvolvimento. Essa identificação com a propriedade perdida parece ser um
processo frequente e pode influenciar na formação do caráter de uma pessoa.
A transposição da libido de objeto para libido narcísica implica uma resignação dos objetivos sexuais e uma espécie de sublimação.
Esse processo levanta a questão de saber se a sublimação universal ocorre por meio dessa transformação inicial da libido de o bjeto
em libido narcísica.
As autoidentificações podem se tornar muito numerosas e intensas, o que pode ameaçar desfechos patológicos, como a
fragmentação do self. Conflitos entre diferentes identificações do self também podem surgir, embora não sejam necessariamente
patológicos.
Portanto, podemos dizer que o processo de formação do ego envolve uma complexa interação entre investiduras objetais,
identificações e conflitos, influenciada por fatores como a disposição triangular do complexo de Édipo e a bissexualidade
constitucional do indivíduo.
No caso da criança do sexo masculino, podemos observar como o complexo de Édipo se desenvolve de forma simplificada.
Inicialmente, a criança desenvolve uma investidura de objeto em relação à mãe, enquanto pela identificação assume o poder
paterno. Esses vínculos coexistem até que os desejos sexuais em relação à mãe e a percepção do pai como obstáculo a esses
desejos dão origem ao complexo de Édipo. Nesse momento, a identificação com o pai torna-se hostil e surge o desejo de eliminar
o pai para ocupar seu lugar ao lado da mãe. Essa ambivalência em relação ao pai e a aspiração de um objeto terno em relação à
mãe caracterizam o conteúdo do complexo de Édipo positivo.
Após a resolução do complexo de Édipo, a investidura do objeto em relação à mãe deve ser resignada. Isso pode resultar em duas
possíveis substituições: uma identificação com a mãe ou um reforço da identificação com o pai. Este último é geralmente
considerado o desfecho mais comum, pois permite que o vínculo terno com a mãe seja mantido em alguma medida e reafirma a
masculinidade no caráter da criança.
No entanto, essas identificações nem sempre seguem nossas expectativas. Às vezes, a menina, depois de renunciar ao pai como
objeto de amor, destaca sua masculinidade e se identifica com o pai em vez da mãe. Isso depende da intensidade de suas
disposições masculinas.
A resolução do complexo de Édipo e as identificações subsequentes parecem depender da intensidade relativa das disposições
sexuais da criança. A bissexualidade desempenha um papel crucial nesse processo, dificultando a compreensão das escolhas de
objetos e identificações primitivas.
O surgimento do superego, como resultado da repressão do complexo de Édipo, implica uma alteração no ego. Essa alteração
coloca o superego contra o resto do ego como o ideal do ego. O superego representa não apenas uma advertência sobre como o
indivíduo deve ser, mas também uma proibição sobre o que ele não pode fazer, com base na repressão do complexo de Édipo.
Em suma, o complexo de Édipo e a formação do superego são resultado de complexos fatores biológicos e psicológicos, como a
dependência infantil e a interrupção do desenvolvimento sexual pelo período de latência. Esses processos têm profundas
implicações para o desenvolvimento emocional e moral do indivíduo.
A psicanálise tem sido repreendida inúmeras vezes por não prestar atenção ao que é superior, o moral e o suprapessoal no ser
humano. No entanto, essa reprovação é injusta histórica e metodologicamente. Desde o início, reconhecemos que as tendências
morais e estéticas do self impulsionam o esforço de repressão. Além disso, a pesquisa psicanalítica não poderia emergir como um
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Feito por MatyBuda